Memórias

A família e os amigos têm valor especial na vida de Ayrton. Tantos momentos de convívio rendem histórias curiosas, que começam já na infância do incansável menino Beco.

Festa de aniversário

Pequeno Ayrton em 1965 em sua casa no Bairro Jardim São Paulo

 

“Fazia uns dois anos que Ayrton não dava uma festinha de aniversário porque sempre aprontava alguma e, de castigo, não podia dar festa. Quando foi completar 6 anos de idade, disse que naquele ano ele queria uma festa grande. Não adiantava ser uma festinha, tinha que ser uma baita festa.

Como ele tinha se comportado bem nos últimos tempos disse a ele que podia convidar quem ele quisesse.

No dia do aniversário, lá pelas 16h30 a molecada começou a chegar. Tinha menino de todo tipo, tamanho e idade. O Milton começou a contar, mas desistiu lá pelo número 30.

Tinha gente saindo por todos os lados.

Milton ensinou a criançada a brincar de ULA NA MULA (Pula-Cela) e foi a maior bagunça.

Mais tarde, depois que todos os convidados tinham ido embora, perguntei para o Beco de onde eram todos aqueles amigos. Com a maior tranquilidade ele respondeu: “Na verdade eu não conhecia todo mundo. Eu fui andando pela nossa rua, tocando a campainha e convidando as crianças que moravam lá para minha festa de aniversário.”
D. Neyde Senna, mãe

 

Poça
“Tínhamos que ir a um aniversário na casa de uns primos. Como o Beco e o Leo eram pequenos, dei banho neles enquanto a Viviane se arrumava sozinha. Todos prontos, bem arrumadinhos e perfumados, fomos para o carro. Morávamos numa rua de terra e havia chovido, então vocês podem imaginar o barro que estava. Apressado, como sempre, Beco foi na frente de todos, abriu a porta do carro e foi engatinhando para o lado do motorista, encostando-se na porta. Só que ela estava apenas encostada e o pior aconteceu. Ele se apoiou com tamanha força na porta que ela abriu e o Beco foi com tudo para o chão, estatelando-se em uma poça d’água. Enquanto o Leo e a Viviane quase perdiam o fôlego de tanto rir, eu fiquei num tremendo mau humor por ter que voltar para casa e arrumá-lo novamente.”
D. Neyde Senna, mãe

Ayrton e Viviane, sua irmã, brincando com o carro da família

 

Maçã
“Certa vez, levei a Viviane, o Leo e o Beco para assistir ao filme A Branca de Neve e os Sete Anões. A Vivi, mais velha, é que estava louca para assistir ao filme e os dois menores estavam com as caras amarradas. Bem, tudo estava caminhando tranquilo – até demais -, quando chegou a cena em que a bruxa colocava veneno na maçã para envenenar a Branca de Neve.
“Mãe, quero aquela maçã”, pediu o Beco.
“Mais tarde”, sussurrei para não incomodar os outros no cinema.
Dois minutos depois, ele me cutucou novamente, e falou mais alto:
“Mãe, quero a maçã!”
Respondi novamente, bem baixinho:
“Espera um pouco. Depois do filme eu compro quantas maçãs você quiser. Agora, assista ao filme e fica quietinho.
” Mas não fui muito convincente, pois ele começou a berrar dentro do cinema:
“Mãe, quero a maçã agora.”
Resultado: tivemos que sair no meio do filme para que ele comesse uma maçã igual àquela.”
D. Neyde Senna, mãe

Ayrton com sua mãe e irmã Viviane em 1964

 

Que lição…
“Eu devia ter uns 11 anos e estávamos na casa de Angra dos Reis, nas férias de janeiro, como de costume. Fui pegar um dos laser disc do Beco para assistir. Era um da Madonna que ele adorava. Só que ele escorregou das minhas mãos e foi para o chão. Claro que quebrou ao meio. Fiquei apavorada, pois sabia que ele gostava muito daquele LD.
Inocentemente, recoloquei-o no mesmo lugar e fingi que nada tinha acontecido. Mais tarde, ele me perguntou se eu sabia quem tinha quebrado o LD da Madonna. Fiquei nervosa e não consegui esconder. Acabei confessando e pedindo milhões de desculpas.
Beco, com a maior calma do mundo, me disse:
“Não tem problema nenhum você ter quebrado o LD. O ruim foi ter escondido o seu erro. Você não deve fazer mais isso. Nem comigo, nem com ninguém. Principalmente com você mesma. Isso só vai te prejudicar”.
Na hora eu devo ter ficado mais vermelha do que um pimentão, mas com o tempo ficou mais fácil entender a lição e sempre lembro disso quando algo sai errado.”
Bianca Senna, sobrinha

Ayrton e a sobrinha Bianca em sua casa em São Paulo 1989

 

Extintor de incêndio
“Austrália, 1990, vários dias antes da corrida. Depois do jantar, começamos a jogar pessoas na piscina, totalmente vestidas. Como eu era bom em me defender, escapei do banho, mas muita gente se molhou. Senna fugiu para evitar que o pegássemos, porém, mais tarde, entrei em seu quarto e ele, meio desajeitado, me atirou um copo d’água. Para um tirolês, isso não era nada, mas foi seu jeito de mostrar que queria entrar no jogo também. E assim aconteceu. Com uma mangueira, improvisamos uma extensão para o extintor de incêndio e a colocamos por baixo da porta de seu quarto às três da madrugada. Convidamos algumas pessoas para assistir e, quando pressionamos a alavanca, Senna saiu voando pela janela feito um foguete. Dentro do quarto parecia que tinha explodido uma bomba. A grande confusão acordou muita gente, que começou a gritar com Senna por fazer tanto barulho. Ele ficou terrivelmente embaraçado.”
Gerhard Berger, no livro “Na Reta de Chegada”, da Editora Globo

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