O Piloto

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Sonhos de criança

Paulistano do bairro de Santana, Ayrton Senna nasceu com a velocidade correndo em suas veias. Incentivado pelo seu pai (Sr. Milton), aos 4 anos de idade já apresentava uma habilidade incrível com o Kart e, a partir disso, a paixão pelo barulho do motor acelerado só aumentou. Aos 9 anos, conduzia jipes com destreza característica de muita experiência; aos 13, já competia oficialmente. Terminou como segundo colocado diversas vezes, o que não o bastava. Foi quando, em 1977, pôde sentir pela primeira vez o saboroso gosto de uma vitória - e decidir que aquele era o seu lugar.

O desenvolvimento de Senna como piloto parte de muita inspiração do então garoto, que dedicava inúmeras horas do seu dia em treinamentos. Em 1981, começou a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês de Fórmula Ford 1600 - com uma marca de 12 vitórias em 20 corridas. Foi nesse período que decidiu usar o sobrenome de solteira de sua mãe, Senna, já que Silva é um nome muito comum no Brasil. Em 1983, venceu o campeonato inglês de Fórmula 3 pela equipe Dick Bennets, com 13 vitórias em 21 corridas, sendo 9 delas consecutivas. Triunfou também no Grande Prêmio de Macau pela Teddy Yip’s Theodore Racing Team. O piloto estava na sua melhor forma e em uma ascendente impressionante - absolutamente nada o tirava do foco que tinha.

Sonhos de criança

Vencer é o que importa, o resto é consequência.

Ayrton Senna

Os primeiros passos de um campeão

Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver de ultrapassar vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima do dos outros.

- Ayrton Senna

A entrada do atleta na Fórmula 1 acontece em 1984 pela Toleman, depois de atrair a atenção de diversas equipes. No seu terceiro GP, realizado na África do Sul, Senna marcou seu primeiro ponto. Duas semanas depois, o resultado se repetiu no GP da Bélgica. A adversidade o encontrou no GP de San Marco, quando não conseguiu tempo - essa foi a única vez que isso aconteceu em sua carreira, afinal, perder não estava nos seus planos. Foi nesse mesmo ano, durante o GP de Mônaco, que Ayrton, depois de conseguir se classificar em 13º no grid de largada, fez um progresso impressionante pelas ruas de Monte Carlo chegando rapidamente ao terceiro lugar.

Durante a volta 19 conseguiu ultrapassar Niki Lauda, que estava em segundo, e, com isso, começou a ameaçar o líder Alain Prost, mesmo tendo em suas mãos uma máquina muito mais limitada. Nesse ponto, chovia demais na pista e a corrida teve que ser interrompida por motivos de segurança. Senna havia passado Prost, mas a vitória não foi computada, já que nesses casos, se considerava a posição da volta anterior. Ainda assim, seu momento não foi apagado: ele havia impressionado. No mesmo ano, Senna conquistou mais dois pódios.

Ayrton Senna

Mudando de casa, Ayrton inicia a temporada de 1985 na Lotus com a promessa de um ambiente mais promissor para a sua carreira. O primeiro ano na equipe contou com algumas vitórias e muitas frustrações, já que sua máquina o fez abandonar a pista por problemas técnicos diversas vezes. Ainda assim, seu desempenho era impressionante. Senna ficou conhecido como “Rei da Pole Position”, devido aos seus tempos durante os treinos. Na nova casa, ele termina sua primeira temporada em quarto lugar. No ano de 1986, a Lotus escolhe o escocês Johnny Dumfries para ser parceiro de equipe de Ayrton, sob supervisão dele. Essa temporada começa bem para Senna, que consegue o segundo lugar no GP do Brasil.

Percebendo a limitação do seu motor, ele adota uma técnica para adquirir vantagem sob seus adversários: adiar a troca de pneus. Com isso, passou a liderar o campeonato pela primeira vez, batendo inclusive o tempo da Williams de Nigel Mansel por 0,014s. Os problemas técnicos continuaram a atrapalhar o seu desempenho durante a temporada, e acabou terminando-a em quarto, mais uma vez. Inicia-se o ano de 1987 e a promessa de dias melhores. A Lotus vinha com um novo patrocinador e as possibilidades para Senna eram maiores. Circunstâncias externas nas pistas fizeram que com Ayrton ganhasse ainda mais destaque depois da saída de Mansel por ferimentos. Com a possibilidade de terminar a temporada em segundo lugar, o piloto se dedicou ao máximo e conquistou o objetivo almejado, mas seu carro não passou nas medições e Senna acabou amargurando um terceiro lugar. Estava na hora do piloto mudar de casa mais uma vez.

Ayrton Senna

Em 1988, Senna chega a McLaren para disputar o campeonato ao lado de Prost, com quem desenvolveu uma competição nada amistosa. Nesse ano, a dupla venceu 15 das 16 corridas disputadas. Foi nesse ano também que Ayrton chegou no lugar mais alto do pódio, garantindo seu primeiro título mundial. No ano de 1989, a adversidade entre os pilotos se tornou uma verdadeira guerra psicológica. Prost conquista o tricampeonato mundial no GP do Japão depois de uma colisão com o carro de Senna, que, inconformado, tenta recorrer de todas as maneiras possíveis, sem sucesso. O ano de 1990 chega e, no mesmo circuito, os dois estão disputando o título mundial, agora com Prost na equipe da Ferrari. Dessa vez, uma colisão entre os carros dá vantagem para Senna, fazendo com que ele garantisse seu segundo título mundial. Em 1991, veio seu terceiro título.

Uma ascendente impressionante continuava a acompanhar o piloto. O ano sequente, porém, acabou trazendo a tona a superioridade do motor da Williams. Problemas técnicos que abateram seu carro somados ao campeonato premeditado de Nigel Mansel tornaram o ano bastante desestimulante para o piloto, que chegou a cogitar uma mudança para a Fórmula Indy. Apesar de não acreditar na competitividade das máquinas da McLaren, a transferência de Senna para Williams seria impossível enquanto Prost fizesse parte da equipe. Depois de terminar em segundo lugar na corrida de abertura da temporada na África do Sul, Senna ganhou os GPs do Brasil e da Europa, em Donington Park. Apesar disso, Senna terminou a temporada em segundo lugar e garantiu seu passaporte para a Williams em 1994.

Ayrton Senna

Senna desejava tanto fazer parte da Williams, que se ofereceu para correr sem receber, o que mesmo assim foi vetado, já que o contrato de Prost contava com uma clausula que impedia a equipe de contratar o brasileiro. Quando percebeu as vias de contratação de Ayrton, Prost decidiu se retirar. Na melhor equipe, com o melhor motor, Senna era favorito ao campeonato. A pré-temporada mostrou um carro rápido, porém difícil de dirigir. O próprio Senna fez várias declarações de que o carro era instável e desajeitado. Seu início de temporada não foi dos melhores, numa espécie de prenúncio dos trágicos eventos que o acometeriam durante sua terceira corrida.

Ayrton Senna
Toleman Toleman
Lotus Lotus
McLaren McLaren
Williams Williams

A TEMPORADA QUE NÃO TERMINOU

Foi no GP de San Marino que Senna acelerou no que seria a sua última corrida. Entrou na curva Tamburello. Perdeu o controle devido a uma barra de direção quebrada. Seguiu reto em direção aos muros laterais e chocou-se violentamente. A telemetria mostrou que Senna, ao perceber que ia bater, conseguiu reduzir o carro de 300 km/h para 200km/h. Nesse momento, toda a nação brasileira prendeu a respiração, esperando qualquer movimento por parte do piloto. Um movimento leve aconteceu, mas piorou drasticamente seus danos cerebrais. Atendido prontamente na pista, foi transferido para o hospital, onde, poucas horas depois, foi declarado como morto. Era o ponto final do atleta e o começo de um majestoso legado.

Senna em números

  • GPs
    161 GPs disputados
  • Pole
    65 Pole Positions
  • Vitórias
    41 Vitórias
  • Liderança
    2982 Voltas na liderança
  • Rápidas
    19 Voltas mais rápidas

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