O objetivo de qualquer piloto é chegar à frente de seus concorrentes e vencer a prova. Se ele está atrás de alguém, deverá ultrapassá-lo. Se estiver na frente, fará de tudo para que ninguém o ultrapasse. A corrida de Fórmula 1 é, assim, quase um sinônimo para uma sequência de ultrapassagens.

É importante determinar que, por mais que pareça, raramente uma ultrapassagem acontece porque um carro é melhor do que o outro. A partir de um certo nível, o desempenho de máquinas e pilotos é bem próximo.

Para que a ultrapassagem ocorra, o piloto deve criar a oportunidade, esforçando-se volta a volta para aprender os pontos fracos do adversário e pressionando-o para fazê-lo cometer um erro. É possível realizar uma ultrapassagem ao fazer uma curva e sair dela com maior velocidade, escolhendo o melhor momento de freada após uma reta e até arriscando tudo, no estilo “ou vai ou racha”. Esse corpo a corpo é, sem dúvidas, o que gera um grande fascínio pelas corridas.

Se o adversário é mais lento na saída de uma curva, o piloto pode manter uma distância segura para que não perca rendimento, sair mais rápido e já estar à frente na reta posterior ou mesmo na próxima curva.

Caso o piloto entre mal na curva, o bote pode ser dado ali mesmo, retardando o ponto de frenagem e forçando a trajetória interna. O adversário pode forçar a trajetória interna, obrigando o piloto a ultrapassar por fora, manobra que no passado era restrita aos grandes pilotos, mas que, com o aumento de aderência dos pneus utilizados, já é conseguida até mesmo nos campeonatos aspirantes. Tal ultrapassagem, no entanto, é impossível de acontecer numa curva mais fechada, como um cotovelo ou uma chicane.

Ultrapassagens
Ultrapassagens
Ultrapassagens
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E, caso um adversário ultrapasse o piloto em uma curva, é possível dar o troco aproveitando o vácuo – uma área a 60 metros do carro da frente em que a resistência aerodinâmica é mais baixa – na saída da curva e tracionando melhor na reta posterior ou na tomada de uma curva mais aberta, visto que o adversário deverá retardar sua tangência por estar lado a lado com outro carro.

É necessário ter experiência para utilizar o vácuo. A princípio, um aumento de potência e velocidade parecem apenas ganhos, mas o carro também sofre com o menor resfriamento do motor, o que pode ocasionar a sua quebra, e a menor pressão aerodinâmica sobre as rodas – o carro fica mais leve – pode ocasionar acidentes  durante uma manobra brusca numa curva aberta. O momento de saída do vácuo para a realização da ultrapassagem também é fundamental: caso ocorra muito cedo, o adversário pode ter tempo de se recuperar, e, se ocorrer muito tarde, o piloto pode perder o tempo de freada em uma curva e perder contato com o corredor à frente.

A ultrapassagem também pode ser conseguida por um erro do adversário, seja uma troca de marcha equivocada, um ponto de aceleração ou uma tomada de curva perdida. Muitas vezes, quando um piloto ultrapassa outro com muita facilidade, é quase certo que um deles cometeu um pequeno deslize que o outro aproveitou. Mas erros acontecem subitamente e não são assim tão óbvios.

O piloto deve, portanto, forçar o adversário a errar, pressionando-o e simulando ultrapassagens para que aquele que está à frente perca a concentração. Como em outros jogos, o blefe da ultrapassagem não pode ser feito a todo o momento: o adversário deve realmente acreditar que o piloto vai tentar a ultrapassagem naquele momento e, numa tentativa de defesa, poderá errar em algum ponto da pista.

Ayrton Senna ainda dá algumas recomendações aos pilotos que querem aperfeiçoar o fundamento:

“Você deve evitar que o adversário perceba em que ponto é mais veloz que ele (ou onde ele é mais lento) para que não prepare uma defesa e você perca o fator surpresa; agir sempre com determinação, sem vacilar, quando for necessário; não entrar no ritmo do piloto à sua frente, abandonando o seu. Use também o instinto e a criatividade, porque se há algo imprevisível numa corrida são as ultrapassagens.”

Na situação de defesa de posição, é necessário estar atento também ao ritmo e traçado do adversário, monitorando constantemente os espelhos laterais e também descobrindo os pontos fracos daquele que está atrás. Mesmo nesta situação, o piloto deve manter seu ritmo.

Somente se deve adotar um traçado defensivo – ocupando o centro da pista – em detrimento do mais rápido quando não houver outra alternativa: invariavelmente, o piloto de trás estará mais rápido e poderá conseguir a ultrapassagem. O traçado defensivo pode ser uma importante arma de defesa no início da prova, quando todos ainda estão se fixando em suas posições, e no final da prova, quando o piloto de trás tem poucas voltas para conseguir a ultrapassagem.