A aderência ao solo é fundamental em um carro de F-1 e, por isso mesmo, é um dos itens mais verificados em um carro antes, durante e depois de uma corrida. Os ajustes devem balancear bem velocidade, estabilidade e desgaste dos pneus para que o conjunto seja vencedor. Quando a pista está molhada ou suja, sem a camada de borracha deixada pelos pneus de todos que passam por ela, a aderência naturalmente diminui.

Nestas condições, há uma espécie de trilho obrigatório na pista, onde se encontrará mais aderência – no kart, por exemplo, o traçado de chuva é “invertido” em relação ao de pista seca, justamente para que o piloto saia da trajetória normal (com mais borracha) para escorregar menos.

No caso de chuva torrencial, os pilotos precisam tomar ainda mais cuidado para andar no limite, desviando de zebras e faixas de sinalização, levando mais tempo nas curvas, exatamente para diminuir os riscos de escorregar para fora da pista. As freadas são um pouco mais longas, mas os pontos de retomada de aceleração podem ser os mesmos.

Tais condições afetam todos os pilotos e, nestes casos, os mais experientes levam alguma vantagem por já possuir experiência com pistas e pneus para andar sob adversidades como estas.

“Resta a cada um aproveitar bem a sua experiência e seus dotes pessoais, que nesses casos são bastante evidenciados.”

A chuva também ajudava a equilibrar as forças entre equipes, e isso ficou evidenciado justamente na primeira corrida do piloto brasileiro nestas condições na F-1: o GP de Mônaco de 1984. Fazendo sua temporada de estreia pela mediana equipe Toleman, Senna se destacou de forma impressionante, saindo da 12ª colocação no apertado circuito de rua de Mônaco para ultrapassar seus rivais, incluindo uma ultrapassagem por fora sobre o então bicampeão mundial Niki Lauda (que terminaria o ano como tricampeão). Não fosse a polêmica interrupção da prova na 32ª volta, esta poderia ser a primeira vitória do brasileiro, que acabou ficando em segundo, atrás de Alain Prost.

Mas o primeiro triunfo de Senna veio poucos GPs a seguir – e, não por coincidência, na chuva também. A prova em Estoril foi somente a primeira de grandes vitórias do brasileiro embaixo d´água. As principais vitórias nesta condição, além do GP de Portugal em 1985, foram: Bélgica 1985, Inglaterra 1988, Alemanha 1988, Japão 1988, Bélgica 1989, Canadá 1990, Brasil 1991, San Marino 1991, Austrália 1991, Brasil 1993 e Europa 1993.

Mesmo após os números apontarem um bom retrospecto de Ayrton na pista molhada, ele dizia não preferir corridas com tempestades d´água. O fato é que, nos últimos anos de sua carreira, uma corrida com asfalto escorregadio nivelava os carros e o favoritismo das Williams diminuía. Com isso, o talento de Ayrton ficava ainda mais visível nas pistas.

Ao contrário do que muitos pensam, no início da carreira Ayrton Senna não era um exímio piloto em condições de chuva. Foi justamente por causa da dificuldade em sua primeira corrida de kart em solo molhado que o piloto resolveu aprimorar repetidamente a pilotagem no traçado úmido. Quando as primeiras gotas de chuva começavam a cair, Ayrton preparava o seu equipamento e partia rumo ao Kartódromo de Interlagos, que hoje tem o nome em sua homenagem: Kartódromo Ayrton Senna.