A troca de marchas num carro de corrida é fundamental tanto na frenagem quanto na aceleração. É o ponto que diferencia pilotos mais experientes dos iniciantes: quem conhece bem o próprio carro chega a ganhar milésimos de segundo a cada troca de marcha durante uma prova.

Na frenagem, é necessário realizar a troca de marchas para sair de uma curva acelerando sem qualquer perda de tempo. Mas a sugestão de Ayrton Senna é não realizá-la logo no início do processo:

“Mesmo sem existir uma regra precisa para isso, a prática me permite sugerir que não se troque de marcha pelo menos até o primeiro terço do trecho em desaceleração.”

Na aceleração, o piloto deve ser rápido nas trocas de marcha, aproveitando o intervalo de rotações em que o motor tem maior força. Sempre em que os giros subirem acima deste intervalo, deve-se colocar uma marcha mais longa.

A relação das marchas também deve se adaptar ao tipo de circuito. Escolher uma marcha mais baixa ou mais alta em uma curva gera diferentes efeitos no carro, que pode ganhar mais velocidade no fim de uma curva ou maior aceleração na retomada.

Os ajustes dos carros para a corrida, a posição na pista e até o vento podem contribuir para uma mudança na relação das marchas. Caso o piloto largue da primeira fila, ele poderá aproveitar a saída para alongar o câmbio e obter uma velocidade maior que a de seus competidores, por exemplo.

Realizar a troca perfeita num espaço de milésimos de segundo para fazer a diferença na pista, contando com um câmbio manual, era para poucos.

Com os avanços tecnológicos, contudo, a troca de marchas passou a contar com câmbios semiautomáticos, como os utilizados nos dias de hoje na Fórmula 1. Isso exige menos perícia dos pilotos, mas o principal ganho é em relação à segurança:

“Ganha-se duas grandes vantagens de caráter absoluto: o tempo para mudar a marcha é muito menor e o piloto não precisa mais tirar a mão direita do volante, aumentando a segurança e o controle sobre o carro.”