Grande Prêmio de Mônaco – 1984

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A temporada de estreia na Fórmula 1 já era digna de nota: Ayrton Senna pontuara nos GPs da África do Sul e da Bélgica com o seu Toleman. Foram dois sextos lugares, sendo que o primeiro deles, em Kyalami, foi conquistado apenas em sua segunda prova na categoria. Estes bons resultados davam confiança para o brasileiro iniciar a construção de seu nome já no ano de estreia, em 1984, mas o que estava para acontecer nas ruas de Monte Carlo, contudo, chegaria a outras proporções. A corrida cravaria pela primeira vez o nome de Ayrton Senna entre os grandes pilotos da categoria.

Após a classificação, Senna sentou-se na mureta dos improvisados boxes de Monte Carlo e começou a examinar o grid de largada:

“Bem, este número um dia ainda vai me dar sorte”

O número era o 13, de sua 13a colocação, como já tinha acontecido antes na África do Sul e na França.

A primeira fila foi composta por Alain Prost da McLaren e Nigel Mansell da Lotus. A segunda fila tinha as Ferrari de Rene Arnoux e Michele Alboreto. Na terceira largaram Derek Warwick e Patrick Tambay, ambos da Renault.

A direção de prova decidiu adiar o início da largada em 45 minutos devido ao temporal que caía em Monte Carlo. A prova foi iniciada ainda sob forte chuva, palco perfeito para o primeiro show de Ayrton Senna em uma prova de Fórmula 1.

Logo após a largada, Ayrton começou a ganhar posições. Completou a primeira volta no nono lugar e, na volta 10, ele já era o sétimo colocado.

Na parte da frente, o duelo era entre Prost e Mansell. O britânico tomou a liderança na volta 8 e abriu uma vantagem tranquila para o rival.

A partir daí, Ayrton iniciou o seu grande show. O brasileiro entrou na zona de pontuação após Michele Alboreto enfrentar problemas. Na sequência, o caminho parecia mais complicado para ultrapassar o campeão mundial de 1982, Keke Rosberg. Ayrton, no entanto, partiu para cima e ultrapassou com classe o finlandês.

Na 14a volta, Arnoux também não resistiu a pressão de Ayrton, que era muito mais rápido que os concorrentes e a esta altura já era focado pelas câmeras de televisão, sendo o protagonista de uma corrida mesmo tendo pouquíssima experiência na F-1 e sendo um novato nas ruas de Monte Carlo.

Logo depois, na volta 16, o líder da prova, Mansell, mostrou como eram difíceis as condições para manter um F-1 na pista: o britânico perdeu o controle de sua Lotus e encontrou o guard-rail na subida para a Curva do Casino. Com isso, Senna já estava na posição de pódio, em terceiro.

Prost retomava a liderança, com Lauda em segundo, fazendo a dobradinha da equipe dominante daquele ano (a McLaren), e Senna em terceiro. O público não parecia acreditar na aula que Ayrton dava na pista molhada em Monte Carlo.

O brasileiro diminuía vertiginosamente sua diferença para Lauda, e, no início da volta 19, na curva Saint Devote, fez uma brilhante ultrapassagem por fora. Ninguém acreditava que uma Toleman poderia vencer tão facilmente a McLaren, carro que havia vencido quatro das cinco provas realizadas naquela temporada.

Depois de derrotar um a um, Senna agora tinha outra missão: colar no líder Alain Prost, da McLaren. E foi exatamente isso que Senna fez em Monte Carlo.Um desempenho assombroso: Ayrton desfilava em uma pista onde todos os outros pilotos se mantinham com dificuldades. O domínio era tamanho, que na volta 24, Senna fez a volta mais rápida da prova, com 1min54s334, a primeira dele na carreira.

Na 31ª volta, quando já se preparava para assumir a ponta da prova, um balde de água fria: a corrida foi encerrada devido às condições da pista pelo diretor de prova Jacky Ickx, com Prost em primeiro, Senna em segundo e Stefan Bellof em terceiro – o piloto alemão seria desclassificado depois, com irregularidades em seu carro, deixando Arnoux em terceiro. Foi o primeiro pódio de Senna na F-1 – foram 80 ao longo da carreira.

Para o campeonato, somente a metade dos pontos daquela segunda colocação foram computados. Apenas um detalhe, já que o mundo olharia com mais atenção para o talentoso piloto brasileiro a partir de então.

Teria o 13 dado sorte, afinal? Senna fechou a cara e discordou:

“É, deu sorte ao Prost. Para mim continua devendo.”

Mas no final do ano, porém, aquela pontuação pela metade custaria caro a Prost. Afinal, perdeu o título para seu companheiro de equipe da McLaren, Niki Lauda, por apenas meio ponto – o francês teria conquistado seu primeiro título na F-1 caso tivesse sido segundo e Senna o primeiro – com a pontuação normal, já que ele levaria seis pontos, contra 4,5 do que acabou levando. Nascia assim, ainda que de forma indireta, o primeiro capítulo da história de dois grandes rivais da história do esporte mundial.

Resumo da Corrida

  • 1 A. Prost
  • 2 N. Mansell
  • 3 R. Arnoux
  • 4 M. Alboreto
  • 5 D. Warwick
  • 6 P. Tambay
  • 7 A. de Cesaris
  • 8 N. Lauda
  • 9 N. Piquet
  • 10 K. Rosberg
  • 11 E. de Angelis
  • 12 M. Winkelhock
  • 13 Ayrton Senna
  • 14 R. Patrese
  • 15 T. Fabi
  • 16 J. Laffite
  • 17 F. Hesnault
  • 18 J. Cecotto
  • 19 P. Ghinzani
  • 20 S. Bellof
Voltas 31
Tempo Chuvoso
Volta mais rápida Ayrton Senna - 1’54’’334
Podium 1º A. Prost 2º Ayrton Senna 3º R. Arnoux
Carros 20
Abandonos 11