A temporada

A temporada de 1986 ficou marcada pelas dobradinhas brasileiras em um ano em que ficava cada vez mais evidente que o País tinha dois dos melhores pilotos do mundo para ganhar corridas na maior categoria automobilística: Ayrton Senna e Nelson Piquet.O título não veio para o Brasil em 1986, mas os dois protagonizaram três dobradinhas, sendo a primeira logo no GP de estreia, justamente no Rio de Janeiro, no circuito de Jacarepaguá –as outras foram na Alemanha e na Hungria.

Enfrentando problemas semelhantes aos de 1985, em que o motor Renault não era extremamente confiável para aguentar os desafios de uma corrida inteira, Senna conseguiu vencer duas vezes, na Espanha, no circuito de Jerez de laFrontera, e em Detroit, nos Estados Unidos.

Na corrida americana, Ayrton eternizou uma cena que seria uma das principais marcas ao longo de sua carreira: o gesto de erguer a bandeira do Brasil para comemorar uma vitória na F-1.Na primeira vez que isso ocorreu, a Seleção nacional de futebol disputava as quartas de final da Copa do Mundo de 1986 contra a França, que acabou vencendo a disputa nos pênaltis. Ayrton descreveu a situação no programa Roda Viva, exibido em 15 de dezembro de 1986 na TV Cultura.

“Eram dez paras duas da tarde, e quando eu entrei no box devagarzinho, tinha acabado de obter a pole position, um mecânico meu estava segurando um quadro dizendo: Brasil 1 X França 0. O Brasil tinha acabado de fazer um gol. Saí do carro, fui direto para o meu apartamento no hotel para assistir o jogo. E tinha uma conferência de imprensa que eu tinha que ir. Me meteram bronca! Disseram que eu não dava bola para imprensa. Eu estava a fim de assistir ao jogo do Brasil. Meu projetista é francês, os mecânicos da Renault eram todos franceses [risos]. Conclusão: depois do jogo, eu nem fui à garagem onde o pessoal trabalha durante a tarde toda preparando o carro pro dia seguinte, porque eu sabia que eles iriam me alugar, né? E nem apareci na garagem, só apareci no domingo cedo na pista, porque o Brasil foi eliminado, né? E, por uma grande felicidade, a gente venceu a corrida. E o interessante é que tinha muito brasileiro lá. Quando eu passei na linha de chegada, que eu diminuí, eu estava esgotado, foi uma corrida dura fisicamente, eu vi um brasileiro do lado de lá da cerca, pra trás do fiscal, com uma bandeira do Brasil. E então foi instinto, eu parei e fazia sinal para o cara que estava do outro lado da cerca e ele não podia vir, o bandeirinha do meu lado e não entendia nada. E eu falava: [faz uma entonação com a voz para indicar que ele estava pedindo a bandeira de longe] “bandeira”, né, mas ninguém entendia nada. Até que o bandeirinha olhou para mim, olhou pro cara e entendeu. Aí o bandeirinha foi lá, tomou a bandeira do torcedor que estava pendurado lá na cerca. Entendeu, isso é que é maravilhoso, né? O cara torcendo, trouxe a bandeira para mim e eu dei a volta com a bandeira!”, disse Senna.

Em 1986 Ayrton também conseguiu também seis pódios, oito poles position, a metade das possíveis, uma grande façanha. O piloto da Lotus fechou o campeonato em quarto lugar, com 55 pontos, atrás do campeão Alain Prost, de Nigel Mansell e de Nelson Piquet.

Perguntado no programa Roda Viva se era mérito dele, Senna, ter conseguido terminar o campeonato em quarto lugar, Ayrton foi enfático: “Não… não existe mérito de uma pessoa na Fórmula 1. Mérito existe de uma equipe. São os mecânicos, os projetistas, os patrocinadores, que financiam o equipamento. Os fornecedores de motores, de pneus, enfim, é um conjunto de pessoas”.

Senna também foi perguntado se no ano seguinte (1987) seria mais cobrado no Brasil para ser campeão do mundo. Como de costume, mostrou a grande confiança no seu trabalho. “Não existe ninguém que cobra mais de conquistar o campeonato do que eu mesmo”.

A grande mudança para o ano seguinte era a trocar de motor. A Lotus deixaria de ter o motor Renault e passaria a ter o motor Honda, que dominariam a F-1 pelos anos seguintes, com as conquistas de Nelson Piquet, em 1987, com a Williams, e com quatro títulos pela McLaren, sendo três deles de Ayrton Senna (1988, 1990 e 1991).

Colocação: Piloto: Pontos:
A. Prost 72
N. Mansell 70
N. Piquet 69
Ayrton Senna 55
S. Johansson 23
K. Rosberg 22
G. Berger 17
J. Laffite 14
R. Arnoux
M. Alboreto
M. Brundle 8
10º A. Jones 4
11º P. Streiff 4
J. Drumfries
12º T. Fabi 2
R. Patrese
P. Tambay
13º C. Danner 1
P. Alliot
Equipe Lotus
Carro Lotus/Renault 98T
Total de provas 16
Vitórias 2
Poles 8
Pódios 8
Melhores Voltas -
Abandonos 6
Pontos 55
Classificação no Campeonato 4

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