Grande Prêmio da Bélgica – 1989

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O circuito de Spa-Francorchamps, de quase 7km de extensão, é o mais longo da Fórmula 1 atual e historicamente um dos mais seletivos e charmosos da categoria. A pista fica localizado na região das Ardenas, local de montanhas e florestas, onde a chuva é quase uma tradição. Ayrton Senna venceu pela primeira vez neste circuito em 1985 com a Lotus. Este foi apenas seu segundo triunfo na Fórmula 1, em uma prova que começou com a pista molhada e foi secando aos poucos. Seu segundo triunfo veio em 1988, mas desta vez com pista seca e vitória de ponta a ponta.

O roteiro de 1989 era semelhante ao de quatro anos atrás, já que a prova seria realizada com pista molhada. A diferença é que desta vez Ayrton Senna era um dos favoritos ao lado de Alain Prost, seu companheiro e rival na McLaren.

No sábado, quando todos os pilotos puderam andar em pista seca, o brasileiro fez a pole position com o tempo de 1min50s867, sendo 0s596 mais rápido que o francês, segundo no grid. A segunda fila foi formada por Gerhard Berger, da Ferrari, em terceiro e Thierry Boutsen em quarto. A prova para o belga da Williams seria especial pois, além de correr em casa, também completava 100 GPs nesta corrida. A terceira fila também teve uma Williams e uma Ferrari, mas na ordem inversa – Riccardo Patrese em quinto e Nigel Mansell em sexto.

A maior surpresa do treino classificatório foi o desempenho ruim das Lotus. Nelson Piquet foi atrapalhado por Andrea de Cesaris, sofreu com o motor Judd e com isso não conseguiu um tempo suficiente para alinhar no grid. Seu companheiro de equipe, Satoru Nakajima, ainda foi 0s5 mais rápido que Piquet, mas também ficou de fora dos 26 primeiros na classificação.

O circuito de Spa-Francorchamps tem diferentes tipos de curva, como a famosa Eau Rouge, feita com aceleração máxima entre um declive e um aclive e que desafia a coragem dos pilotos. Para aumentar a emoção, a chuva e a temperatura baixa dos pneus preocupavam todos, principalmente para a primeira volta.Era preciso mais do que ter um bom carro. Em ocasiões como esta, Ayrton Senna mostrava muita competência.

A largada atrasou aproximadamente uma hora devido ao excesso de água na pista. Assim que os carros largaram, o brasileiro manteve a ponta, seguido de Prost em segundo e Berger em terceiro. Mansell fez uma largada arrojada, pisou na grama molhada e mesmo assim assumiu o quarto lugar.

Na volta 9, o primeiro abandono entre os líderes. Berger perde o controle da sua Ferrari e deixa o terceiro lugar para Mansell. A chuva em Spa-Francorchamps era tão forte que os pilotos de ponta estavam realizando suas voltas em 2min e 21 segundos, aproximadamente 30 segundos mais lentos que no treino classificatório.

Na 20ª volta, Riccardo Patrese tentou ultrapassar Michele Alboreto (Lola), que era retardatário, e os dois se tocaram e abandonaram a corrida. O quinto lugar, que era do italiano, passou a ser do seu compatriota Alessandro Nannini, da Benetton.

Enquanto isso, Senna aumentava sua diferença para Prost ao negociar melhorar as ultrapassagens em cima dos retardatários. Na volta 22, que marcava a metade da corrida, a diferença entre os rivais era de 12 segundos.

A partir daí, o brasileiro adotou uma estratégia mais cautelosa e nas voltas finais preferiu diminuir o ritmo. O brasileiro cruzou a linha de chegada apenas 1s304 na frente de Prost ao final das 44 voltas. O ritmo acelerado do francês no fim teve uma justificativa: Mansell estava em seu retrovisor e tentou tomar o segundo lugar. O britânico terminou em terceiro apenas 0s520 atrás do francês.

Thierry Boutsen completou seu 100º GP com um quarto lugar, Nannini fechou em quinto e a sexta posição ficou com Derek Warwick, da Arrows. Mauricio Gugelmin tentou entrar na zona de pontuação com a March, mas acabou fechando a corrida em sétimo.

A vitória de ponta a ponta de Ayrton marcou o seu 19º triunfo na Fórmula 1, o terceiro na Bélgica. Com o resultado, Senna descontou três pontos da vantagem de Prost, que caiu para 11 pontos (62 a 51). O terceiro colocado no campeonato era Mansell com 38 pontos e Patrese, mesmo com o abandono, se manteve em quarto com 25 pontos.

O GP seguinte estava marcado para Monza, na Itália, em duas semanas.

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 A. Prost
  • 3 G. Berger
  • 4 T. Boutsen
  • 5 R. Patrese
  • 6 N. Mansell
  • 7 A. Nannini
  • 8 S. Modena
  • 9 M. Gugelmin
  • 10 D. Warwick
  • 11 P. Alliot
  • 12 A.Caffi
  • 13 E. Pirro
  • 14 P. Martini
  • 15 S. Johansson
  • 16 J. Herbert
  • 17 R. Arnoux
  • 18 A. de Cesaris
  • 19 I. Capelli
  • 20 M. Brundle
  • 21 J. Palmer
  • 22 M. Alboreto
  • 23 B. Gachot
  • 24 E. Cheever
  • 25 L. Perez-Sala
  • 26 O. Grouillard
Voltas 44
Tempo Chuvoso
Volta mais rápida A. Prost - 2´11´´571
Podium 1º Ayrton Senna 2º A. Prost 3º N. Mansell
Carros 26
Abandonos 10

Senna na corrida

Posição de largada 1
Posição final 1
Melhor volta 2’12’’890
Pontos somados para o Campeonato 9
Posição no Campeonato após a prova 2
O que disse após a prova
“A verdadeira chave para o sucesso (de andar bem em pista molhada) é controlar seus instintos naturais e manter-se bem, dentro do limite”