Grande Prêmio de Mônaco – 1992

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A sina da temporada continuava também em Mônaco. Nigel Mansell havia vencido todas as corridas saindo da pole position e Ayrton Senna, por mais que lutasse, não conseguia andar mais rápido que as Williams nos treinos. Com seu FW14b “de outro planeta”, o inglês virou a marca de 1min19s495, incríveis 1s1 mais rápido Ayrton, que largou em terceiro.

Senna não estava exatamente feliz com a posição, mas tinha um plano para superar Patrese na largada e, valendo-se de sua experiência de quatro vitórias anteriores no circuito de Monte Carlo, pressionar o líder Mansell.

Sua estratégia era fazer uma saída rápida, dando um pulo à frente de Patrese. Em posição de pista, mesmo saindo de terceiro, levava a vantagem de ficar por dentro na primeira curva do traçado, a “Saint Devote”. Na luz verde, o brasileiro executou seu plano: mesmo sem uma grande largada, conseguiu superar o italiano da Williams por causa de seu preferência na pista.

“Para ser bem sincero, poderia ter ultrapassado também o Mansell na freada. O que me faltou mais ousadia. Não acreditei que eles fossem brecar tão antes da curva e só me empenhei em vencer o Patrese.”

Na sequência da corrida, Ayrton Senna teve dois comportamentos distintos durante a prova. No começo, foi frio o suficiente para poupar os pneus, atitude que poderia fazer a diferença no sinuoso circuito de Mônaco. Levou o carro com extrema atenção.

“Eu gritava: preste atenção, olha a concentração, não se distraia, idiota.”

Ayrton só passou aperto quando viu o Footwork de Michele Alboreto atravessado na curva Mirabeau. Ali o brasileiro teve que se virar para não perder ainda mais tempo para Mansell, que começava a desgarrar. Senna teve que parar, engatar a primeira marcha e, com isso, perdeu 10 segundos na manobra. Menos mal que já tinha aberto tempo suficiente para Patrese para manter a segunda colocação.

Mas, no fim, o circuito que é tão especial para a carreira de Ayrton Senna teria mais uma de suas reviravoltas, comuns nos GPs de F-1.
Tudo parecia se encaminhar para mais uma vitória de Mansell, mas tudo mudou quando o inglês teve uma porca solta de uma de suas rodas. Com isso, foi obrigado a diminuir muito a velocidade e entrar nos pits para troca de pneus. Com o problema, Senna, mesmo estando bem atrás, assumiu a ponta da prova e já pensava: “Ah, vou correr para vencer”.

As últimas voltas da corrida foram das mais emocionantes da história do GP de Mônaco, com final espetacular. O brasileiro teve que segurar a Williams muito superior a sua McLaren – e ainda por cima de pneus novos. Senna teve que fechar a porta, mudar traçados, fazer o possível e o impossível, sempre com Mansell colado em seu aerofólio traseiro e, com a proeza de conseguir aparecer “em seus dois retrovisores”, como mais tarde o brasileiro diria.

Senna conseguiu superar toda a pressão e venceu pela quinta vez no Principado, igualando a marca de Graham Hill que já perdurava por 22 anos. Riccardo Patrese foi o terceiro, Michael Schumacher o quarto, Martin Brundle o quinto e Bertrand Gachot, da modesta Larrousse, fechou a zona de pontuação.

“Ressuscitei com a quinta vitória em Mônaco, porém, o carro ainda é muito inferior às Williams”, disse Senna. “O carro estava melhor na corrida do que nas qualificações, mas não dava para pensar sequer em bater o Nigel. Assim, procurei me manter o mais próximo possível, pois nesta pista pode sempre ter imprevistos, e convinha estar em posição de aproveitar, como aconteceu. Quando fiquei à frente, os meus pneus já estavam muito gastos e esperei que o Nigel, que tinha pneus novos, se aproximasse rapidamente, mesmo sem saber muito bem como poderia segurar a minha vantagem no comando. Tive que me valer do conhecimento sobre Mônaco e tudo foi bastante emocionante. Sabia que o Nigel tentaria tudo para me ultrapassar e era mais rápido em todos os pontos do circuito, por isso apenas procurei manter-me dentro da pista e no lugar certo. Na reta, o carro parecia um “dragster”, com os pneus patinando em segunda, terceira e quarta, mas mesmo assim consegui ganhar. Senti-me feliz em domar o Leão.”

Resumo da Corrida

  • 1 N. Mansell
  • 2 R. Patrese
  • 3 Ayrton Senna
  • 4 J. Alesi
  • 5 G. Berger
  • 6 M. Schumacher
  • 7 M. Brundle
  • 8 I. Capelli
  • 9 J. Herbert
  • 10 A. de Cesaris
  • 11 M. Alboreto
  • 12 G. Morbidelli
  • 13 M. Gugelmin
  • 14 M. Hakkinen
  • 15 B. Gachot
  • 16 K. Wendlinger
  • 17 C. Fittipaldi
  • 18 P. Martini
  • 19 A. Suzuki
  • 20 J. Lehto
  • 21 S. Modena
  • 22 T. Boutsen
  • 23 E. Comas
  • 24 O. Grouillard
  • 25 G. Tarquini
  • 26 R. Moreno
Voltas 78
Tempo Nublado
Volta mais rápida N. Mansell - 1´21´´598
Podium 1º Ayrton Senna 2º N. Mansell 3º R. Patrese
Carros 26
Abandonos 14

Senna na corrida

Posição de largada 3
Posição final 1
Melhor volta 1’23’’470
Pontos somados para o Campeonato 10
Posição no Campeonato após a prova 4
O que disse após a prova
"O carro estava melhor na corrida do que nas qualificações, mas não dava para pensar sequer em bater o Nigel. Assim, procurei manter-me o mais próximo possível, pois nesta pista pode sempre suceder qualquer imprevisto, e convinha estar em posição de aproveitar, como aconteceu. Quando fiquei à frente, os meus pneus estavam já muito gastos e esperei que o Nigel, que tinha pneus novos se aproximasse rapidamente, sem saber muito bem como poderia segurar a minha vantagem no comando, valendo-me do meu conhecimento sobre Mônaco, e foi bastante excitante. Sabia que o Nigel tentaria tudo para me ultrapassar e era mais rápido em todos os pontos do circuito, por isso apenas procurei manter-me dentro da pista e no lugar certo. Na reta, o carro parecia um "dragster", com os pneus a patinarem em segunda, terceira e quarta, e consegui mesmo ganhar."