Após recusar o convite para participar da Formula Ford em 1980, Ayrton Senna decidiu entrar na categoria no ano seguinte. O piloto brasileiro desembarcou na Inglaterra para estrear na categoria de base e correr pela melhor equipe do campeonato europeu, a Van Diemen, a mesma que acolheu Emerson Fittipaldi no final dos anos 1960. Era a hora de Ayrton mostrar tudo o que havia aprendido nos kartódromos do Brasil e do exterior.

Logo no primeiro ano, foram 20 provas em três competições (Towsend Thoresen, EFDA Euroseries e RAC British), com 12 vitórias. O primeiro triunfo do brasileiro foi em Brands Hatch, em 15 de março de 1981, mesmo local da estreia duas semanas antes.

O troféu da primeira conquista de Ayrton Senna em carros de fórmula está guardado em Snetterton, na Inglaterra, pelo chefe de equipe Ralph Firman, que comandava um time que tinha, além do brasileiro, o argentino Enrique Mansilla e o mexicano Alfonso Toledano.

O carro utilizado por Ayrton em 1981 era equipado com o motor Ford ‘Kent’, de cerca de 125 cavalos de potência, sem asas aerodinâmicas e, portanto, com muito menos aderência que os karts que o brasileiro estava acostumado. Os competidores usavam monopostos similares, para que o piloto realmente fizesse a diferença. E foi exatamente o que Senna fez.

Durante o período da Fórmula Ford, o jovem piloto que chegou na Europa com 20 anos teve bastante apoio de Chico Serra, que na época iniciava sua carreira na Fórmula 1, e que depois faria história na Stock Car, principal categoria do automobilismo nacional.

Após o título em 1981, Ayrton seguiu o caminho natural para a divisão superior no ano seguinte: a Fórmula Ford 2000. A transição das duas temporadas não foi tão simples. Foi este o momento em que Senna cogitou a possibilidade de abandonar a carreira e voltar ao Brasil, devido às dificuldades para se manter na Europa em busca do sonho de ser piloto.

Mas logo quando sentou no novo carro, que era em média 4 segundos mais rápido que o do ano anterior, não teve dúvidas do que faria dali em diante. O carro de 1982 era equipado com pneus slicks, asas dianteira e traseira, além do motor 2.0, mais potente.

Desta vez, disputando os campeonatos britânico e europeu, Senna quebrou todos os recordes possíveis das competições. Nas primeiras seis corridas do ano foram seis provas fazendo “barba, cabelo e bigode”, ou seja, pole position, vitória de ponta a ponta e volta mais rápida.

Em 12 de setembro, outro recorde imbatível. Nona vitória consecutiva na categoria. Algo que jamais seria repetido por outro competidor na Fórmula Ford 2000.

Os números finais da temporada impressionaram: 22 vitórias, 18 poles, 22 voltas mais rápidas e 516 pontos conquistados, em 28 provas disputadas. O aproveitamento de vitórias na FF2000 foi de 78,5%.

Em 1982, Ayrton competiu em mais pistas da Europa como: Zolder (Bélgica), Hockenheim (Alemanha), Zandvoort (Holanda), Osterreichring (Áustria), Jyllandsring (Dinamarca), Mondello Park (Irlanda), além das tradicionais pistas inglesas que já conhecia do ano anterior.

Com resultados espetaculares, Ayrton Da Silva, como era conhecido no início da carreira na Inglaterra (daí o trocadilho com “Silvastone” de suas grandes conquistas em Silverstone nesta época), começava a despertar interesse das equipes de Fórmula 1. Apesar disso, decidiu seguir o caminho natural que a maioria dos grandes talentos trilhava: fechou contrato para correr na F-3 Inglesa em 1983.