A temporada de 1976 foi marcada por uma conquista especial: as Três Horas de Kart de São Paulo, realizada no Kartódromo de Interlagos. Ayrton fez dupla com Mário Sérgio de Carvalho no kart 22, mas a equipe não era considerada uma das favoritas ao título, já que outras duplas eram mais conhecidas no cenário do kartismo nacional: Chico Serra e Dyonisio Pastore; Walter Travaglini e Antônio Estellise, e Antônio Lopes e Affonso Giaffone.

Com apenas 16 anos, em uma época em que os pilotos não começavam a carreira esportiva tão cedo como hoje em dia, Senna fazia parte da 2ª categoria 100cc, mas, mesmo sendo mais novo, correu de igual para igual com os pilotos da 1ª categoria – de uma graduação mais elevada. A corrida teve mais de 180 voltas, com Mário Sérgio e Ayrton em destaque desde a largada.

Pilotando um Mini SS-Parilla, da equipe Rheem, Mário Sérgio e Ayrton começaram a prova disputando a quarta posição. Em sete voltas, já estavam em segundo e, na volta 39, a dupla conseguiu tomar a liderança de Chico Serra e Dyonisio Pastore para, a partir daí, dominarem a corrida até o final das 182 voltas.

“Os novatos deram show” – esta foi a manchete da Gazeta Esportiva, principal jornal de esportes do Brasil naquela época. De fato, a prova foi considerada uma das mais badaladas do kartismo brasileiro, com premiação feita no salão nobre do Pacaembu por Caio Pompeu de Toledo, Secretário Municipal de Esportes.

No Brasileiro de Kart, disputado no Kartódromo do Maqui-Mundi, no Rio de Janeiro, Senna disputou mais uma vez a 2ª Categoria 100cc. O piloto paulista fez a pole position com o tempo de 56s77 e pulou na frente na disputa da primeira bateria. Senna teria como grande adversário o carioca Luiz Eduardo Lassance.

Logo nas primeiras voltas, os dois começaram a se distanciar do restante do pelotão. Segundo relatos da Revista Autoesporte, Ayrton usava pneus duros na parte traseira, já que os pneus macios não durariam muito para o seu estilo arrojado. O estilo de Lassance era diferente, possuía uma tocada mais limpa e um jeito mais clássico de pilotar.

Preocupado com uma poça d´água na curva da Ferradura, Ayrton evitava passar por cima do local, enquanto foi justamente ali que Lassance armou o bote e venceu a prova. Senna ficou em segundo.

Antes da bateria 2, Ayrton solicitou à direção de prova que limpasse a poça. Na largada, tracionou melhor que Lassance e assumiu a liderança. Confiando que o trecho estava melhor, Ayrton adotou a mesma linha na curva da Ferradura, mas novamente Lassance conseguiu tomar a ponta. Na sequência, Senna ainda tentou recuperar a liderança, mas acabou tocando em seu rival e saiu da pista. O vencedor da segunda bateria foi Emanuel de Brito, que superou Lassance. Na classificação geral do campeonato, título para Lassance, segundo lugar para Emanuel e terceiro para Senna.

“O Dudu mereceu o título”, afirmou Ayrton. “Fui imaturo, devia ter andado sempre por cima da poça que ele não conseguiria me vencer”, revelou à Revista Autoesporte.

Ainda na temporada 1976, Senna conquistou o vice-campeonato paulista na categoria 100 cc, o título do Torneio Canovas na 2ª categoria 100cc, venceu a prova “Le Mans” no Kartódromo de Interlagos e inaugurou o Kartódromo de Bauru, interior de São Paulo, com uma vitória.

Títulos conquistados:

  • Terceiro colocado no Campeonato Brasileiro na categoria 100cc
  • Campeão das Três Horas de Kart, na categoria 100cc
  • Campeão do Torneio Canovas, na segunda categoria 100cc
  • Vice-campeão Paulista na categoria 100cc