Em 15 de julho de 1984, Ayrton Senna participou dos 1000 Km de Nurburgring, prova válida pelo Mundial de Endurance (WEC – World Endurance Championship), que incluia corridas tradicionais de longa duração como a famosa 24 Horas de Le Mans. Recém-chegado na Fórmula 1, o brasileiro vinha de um grande resultado em Mônaco, onde foi segundo colocado em uma corrida paralisada pela direção de prova devido à forte chuva.

Nesta prova de Endurance, Senna pilotou um protótipo Porsche 956 amarelo, branco e preto. O brasileiro ficou com o oitavo lugar no circuito alemão, mesma pista onde dois meses antes havia vencido uma prova contra grandes estrelas do automobilismo mundial com um Mercedes de rua.

Para os 1000 Km de Nurburgring, o brasileiro foi um dos convidados pela equipe Joest Racing para um time que ainda tinha Stefan Johansson, piloto sueco que seria companheiro de Senna no final daquele ano, e Henri Pescarolo, tetracampeão das 24 Horas de Le Mans.

No primeiro dia de testes, Senna já enfrentou o desafio de pilotar no asfalto molhado em sua primeira experiência com um carro protótipo na vida. O treino de Ayrton foi na parte da tarde, enquanto seus dois companheiros tiveram uma vida mais tranquila e pegaram o protótipo com a pista seca durante o período da manhã.

No classificatório, novamente debaixo de chuva, Senna fez o sétimo melhor tempo. Somadas as voltas dos companheiros, o Porsche 956 largou em 9º lugar.

A corrida começou com a pista ainda molhada, mas aos poucos ela foi secando. Com um problema na embreagem, o carro teve que ficar por cerca de 15 minutos nos boxes, perdendo aproximadamente oito voltas para os concorrentes. Após o trabalho dos mecânicos, o carro voltou para a pista e, em uma brilhante recuperação, os três pilotos conseguiram trazer o carro amarelo, branco e preto de volta para o top-10, terminando as 197 voltas com o oitavo lugar. A vitória ficou com outro Porsche, o da equipe Rothmans, de Stefan Bellof e Derek Bell.

Ao falar com a imprensa, Senna comparou o protótipo com o carro da F-1: “É mais pesado que um F-1, mas é bastante rápido”, disse aos jornalistas. Pelos cálculos da equipe, o Porsche 956 poderia chegar ao pódio caso o problema da embreagem não causasse tantas voltas paradas no box.

Após a prova, o chefe de equipe Reinold Joest deu uma declaração elogiando o trabalho do brasileiro. “Ele foi rápido logo nos primeiros treinos. Depois da corrida, ele ficou umas quatro horas conversando conosco, dando sugestões para deixar o carro mais rápido. Senna queria conhecer tudo sobre o 956. Trabalhou de maneira muito profissional para nós”, disse em depoimento registrado no livro “Senna All His Races”, do jornalista Tony Dodgins.

Em 1985, o Porsche pilotado por Senna no ano anterior ficou com o título das 24h de Le Mans. Na oportunidade, o carro da equipe da Joest Racing foi pilotado por Klaus Ludwig, John Winter e Paolo Barilla, sendo usado nas mesmas cores e com o mesmo número 7 do que foi dirigido pelo brasileiro em 1984 na pista de Nurburgring.