GERHARD BERGER (Amigo e Companheiro de equipe na McLaren)

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GERHARD BERGER (Amigo e Companheiro de equipe na McLaren)

Eu me lembro mais de sua pessoa. Vamos dizer desta forma: se eu pensar sobre Ayrton, eu o vejo mais com roupas ‘comuns’.

Ele era conhecido como um homem muito sério e diziam que eu o deixei mais humano, mas não acho que isso seja verdade. Fazia parte do seu jogo. Ele era um verdadeiro brasileiro, cheio de espírito, vida e diversão.

Ele tinha esse objetivo: fazer todo mundo acreditar que não havia nada em torno dele. Ele não era sério assim. Mas vamos colocar desta forma. Eu acho que ele tinha uma concentração maior – ele poderia concentrar-se melhor do que qualquer piloto. Uma vez que ele entrava no carro de corrida, ele ia tão profundamente que não havia outras coisas em torno dele. Ele poderia fazer isso mais do que qualquer outra pessoa. Sua capacidade de concentração era maior.

(sobre as brincadeiras entre os dois)

A pior coisa que ele fez foi ser mais rápido do que eu!

Em Queensland, Austrália fez algo bem ruim. Ele colocou todas as minhas roupas de molho na água quente, o que fez com que elas ficassem todas manchadas. Eu não tinha nada mais para vestir, mas ele pagou por isso. Foi quando eu paguei 100 dólares para o concierge me trazer um tipo de sapos gigantes que tinham por lá. Não rãs – mas um tipo de sapo, mas que pesa cinco quilos, sabe? Como lagartos…

Na noite anterior eu estava correndo pelo campo de golfe e de repente eu vi esses animais pulando, um monte deles. Você normalmente só os vê em filmes! A água de irrigação foi acionada e todos esses animais ficaram pulando. Eu estava com medo deles – pois eles eram bem grandes.

Então eu fui para a portaria e disse: “tome aqui US$ 100, mas me traga alguns desses sapos. Duas horas mais tarde me trouxeram um saco cheio, repleto deles. Eram cerca de quarenta sapos em um grande saco.

Fomos para o jantar todos juntos: Ron (Dennis), eu mesmo e Lisa [Sra. Dennis]. Eu disse a Lisa para “ir ao banheiro”. Nós nos encontramos lá fora. Eu disse a ele: “venha e me ajude”. Então, nós fomos até o quarto de Ayrton e colocamos os sapos em toda parte: sob a coberta da cama, dentro da cama, em todos os lugares onde você não poderia vê-los. Depois do jantar, Ayrton partiu para dormir e então ouvimos muitos gritos. Três horas da manhã e eles tiveram que tirar toda a mobília para fora do quarto, para, em seguida, voltarem parte por parte.

Na manhã seguinte, ele veio e disse que “você é um ******.” Isso levou a noite toda. Eu disse: “e onde você encontrou a cobra?” “Ele disse: ‘Seu ****, eu não encontrei nenhuma cobra!” Ele não voltou mais para o quarto. Eu sabia que ele iria se vingar. Eu digo: seus limites de pilotagem estavam em outro nível, os meus limites de brincadeiras estavam em num nível bem superior.

Fonte: Memories of Senna – Christopher Hilton