Grande Prêmio da Europa – 1985

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Vindo de uma grande vitória na Bélgica, Ayrton Senna chegou ao circuito de Brands Hatch, na Inglaterra, como um dos favoritos, ainda que a prova não favorecesse a sua Lotus. Após conquistar quatro pódios consecutivos (Áustria, Holanda, Itália e Bélgica), o brasileiro queria estar novamente entre os três primeiros para estabelecer uma de suas melhores marcas do início de sua carreira na Fórmula 1.

Para o final de semana na Inglaterra, o maior desfalque do grid era Niki Lauda. O austríaco vinha em uma temporada cheia de problemas e, ainda por cima, via seu companheiro de equipe Alain Prost liderar o campeonato com 16 pontos de vantagem para Michele Alboreto, da Ferrari. Desta vez, Lauda sequer treinaria devido às dores no pulso, que havia sido lesionado no GP anterior. O substituto na McLaren foi John Watson, piloto que havia abandonado a Fórmula 1 dois anos antes e que voltaria exclusivamente para uma espécie de despedida.

O treino classificatório foi marcado por um duelo espetacular de Ayrton Senna contra Nelson Piquet pela pole position. Deu Ayrton, e com dobradinha brasileira na primeira fila, fato inédito na história da F-1. A pole do piloto da Lotus foi cravada em 1min07s169, 0s313 mais rápido que seu compatriota. Era a sexta pole de Ayrton na temporada, número que ninguém igualaria em 1985.

A segunda fila foi composta pelos dois pilotos da Williams, Nilgel Mansell e Keke Rosberg, terceiro e quarto, respectivamente. Líder do campeonato, Prost foi apenas o sexto no classificatório. Sua vantagem é que seu rival no campeonato, Alboreto, era apenas o 15º no grid.

Na largada, Senna tracionou bem, manteve a ponta, mas com Nigel Mansell grudado em sua Lotus. Piquet demorou para sair e caiu para o quarto lugar com a Brabham. Ainda na primeira volta, as Williams de Mansell e Rosberg quase se tocaram. Quem se deu pior foi o inglês, que perdeu a tomada da curva Druids e viu Piquet retomar a terceira posição.

Senna foi bastante pressionado por Rosberg nas voltas seguinte. O finlandês resolveu tentar o bote na Surtees, na sétima volta, mas Ayrton fechou a porta e eles quase se tocaram. O brasileiro escapou na ponta, enquanto Rosberg ficou esparramado no meio da pista. Piquet vinha logo atrás e colidiu de leve com Keke, perdendo sua asa dianteira e prejudicando a suspensão. Nelson abandonou a corrida e Rosberg foi trocar seu pneu furado.

Mesmo tendo conseguido segurar o ímpeto de Rosberg e de Piquet, a briga de Senna, na sequência, era com Nigel Mansell. Com um carro mais equilibrado, o britânico se aproximou rapidamente do brasileiro e, na volta 8, tomou a ponta. A manobra ainda teve uma grande colaboração de Rosberg que, mesmo sendo retardatário (com uma volta atrás), segurou deliberadamente Senna, em uma espécie de “troco” por sua rodada. E, claro, um “jogo de equipe” que acabou favorecendo Mansell.

A partir daí, dois pilotos fizeram duas belas exibições em Brands Hatch: Alain Prost e o próprio Keke. O francês largou em 6º, caiu para 14º na largada e foi escalando o pelotão até chegar em 4º, posição que lhe garantia o título mundial, já que Michele Alboreto abandonou com problemas no turbo de sua Ferrari. Rosberg também foi um dos personagens principais ao conseguir chegar em terceiro, mesmo após o furo em seu pneu.

Sabendo que não conseguiria acompanhar o ritmo do motor Honda da Williams de Mansell, Ayrton Senna economizou combustível para chegar ao fim da prova e completou a corrida na segunda colocação, garantindo assim seu quinto pódio consecutivo na mesma temporada, marca que somente conseguiria repetir em 1988, quando se sagraria campeão mundial pela McLaren.

“Pelo menos tive o gostinho de impedir a dobradinha da Willliams, ao terminar à frente de Keke Rosberg”

Foi o segundo pódio de Ayrton em Brands Hatch na Fórmula 1. O primeiro havia sido justamente no ano anterior, de sua estreia na categoria, quando havia terminado em terceiro lugar. A experiência do brasileiro na Fórmula Ford e na F-3 Inglesa realmente pareciam ajudar e muito na hora em que Ayrton acelerava na Inglaterra.

Os seis pontos conquistados foram os últimos de Ayrton Senna na temporada de 1985. Uma grande temporada, sem dúvidas: 38 pontos e a quarta colocação no Mundial de Pilotos.

O GP da Europa ainda marcou o primeiro título mundial de um francês na história da Fórmula 1 e a primeira vitória de Nigel Mansell na categoria – os dois fariam parte da fase áurea da F-1 que teve Ayrton Senna como protagonista. A corrida seguinte estava marcada para a África do Sul, em Kyalami.

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 N. Piquet
  • 3 N. Mansell
  • 4 K. Rosberg
  • 5 P. Streiff
  • 6 A.Prost
  • 7 M. Surer
  • 8 D. Warwick
  • 9 E. de Angelis
  • 10 J. Laffite
  • 11 R. Patrese
  • 12 T. Boutsen
  • 13 S. Johansson
  • 14 P. Ghinzani
  • 15 M. Alboreto
  • 16 M. Brundle
  • 17 P. Tambay
  • 18 E. Cheever
  • 19 G. Berger
  • 20 T. Fabi
  • 21 J. Watson
  • 22 A. Jones
  • 23 P. Alliot
  • 24 I. Capelli
  • 25 C. Danner
  • 26 P. Martini
Voltas 71
Tempo Nublado
Volta mais rápida J. Laffite - 1´11´´526
Podium 1º N. Mansell 2º Ayrton Senna 3º K. Rosberg
Carros 26
Abandonos 14