Grande Prêmio de Mônaco – 1985

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Menos de um mês após sua primeira vitória na F-1 em Portugal, Ayrton Senna tinha outro grande desafio pela frente. Afinal, a temporada 1985 realizava agora sua etapa nas ruas de Mônaco, onde o brasileiro havia mostrado todo seu talento conquistando um segundo lugar que tinha tudo para ser vitória no GP de 1984, com a Toleman.

Além da vitória em Estoril, o ano de 1985 estava apresentando um campeonato promissor para Senna, que também quase venceu em Ímola, onde uma pane seca impediu que ele ganhasse mais uma vez naquele ano.

Em termos de confiabilidade, a Lotus poderia ter dificuldades nas 78 voltas em Mônaco, mas, na luta pela pole, Senna sabia que poderia superar com seu talento outras equipes fortes, como Williams, Ferrari e McLaren.

No treino de classificação, Senna cravou 1min20s450, apenas 0s086 milésimos de vantagem para Nigel Mansell. Na volta de desaceleração da Lotus, Michele Alboreto da Ferrari buscava melhorar seu tempo, mas encontrou Ayrton em seu caminho, o que deixou o piloto italiano revoltado por ter perdido tempo e só ter conseguido o terceiro lugar no grid. O norte-americano Eddie Cheever largava ao lado de Alboreto, com Prost e Boutsen na terceira fila. No sábado à noite, depois da prova de Fórmula 3, Ayrton Senna deu um longo passeio pelas ruas de Monte Carlo.

Andou anônimo pelo sinuoso circuito do Principado. Saboreava ali a terceira e consecutiva pole position da Fórmula 1, a primeira das cinco que conseguiria em Mônaco.

Examinou com cuidado cada curva da pista urbana como quem quisesse decorar o caminho da vitória. Ele tinha chegado tão perto com a Toleman um ano antes. Teria melhor sorte agora?

Assim que foi dada a largada, Ayrton Senna manteve a liderança e abriu cinco segundos de vantagem do grupo encabeçado por Mansell (Williams), Alboreto (Ferrari) e Alain Prost (McLaren). Se o carro aguentasse até o fim, a vitória viria.

No pelotão intermediário, o motor da Arrows de Gerhard Berger explodiu e causou um toque entre Patrick Tambay e Stefan Johansson.

Ainda no início da corrida, Mansell começou a perder rendimento e foi ultrapassado por uma fila de carros encabeçada por Alboreto. Ayrton aproveitou e abriu uma boa distância para o segundo colocado, mas que em algumas voltas foi tirada pelo italiano, que colou na traseira da Lotus preta.

A euforia de liderar a prova durou apenas 18 minutos. Na 13ª volta, o motor Renault começou a fumar. Ayrton passou lento na reta e Alboreto assumiu a ponta. O piloto brasileiro ainda deu mais uma volta com o motor Renault EF15 ameaçando explodir, trouxe o carro para os boxes e, apesar do esforço dos mecânicos, teve que abandonar.

Três voltas depois do abandono de Ayrton, mais um incidente mudou a história da corrida. Nelson Piquet tentou ultrapassar Riccardo Patrese na luta pelo nono lugar, mas ambos se chocaram na “Saint Devote”, curva 1 do circuito. Vindo na liderança, Alboreto destracionou no óleo deixado pelo acidente e perdeu a freada, deixando a liderança para Prost, que venceu a prova. O italiano ainda teve que engatar a marcha ré, algo muito raro na F-1, para poder voltar a pista e subir no pódio em segundo lugar, com Elio de Angelis, companheiro de Senna na Lotus, em terceiro.

Desapontado com o desempenho, Ayrton Senna prometeu a si mesmo que venceria em Mônaco um dia, sem imaginar que pagaria esta dívida com sobras até o fim de sua carreira.

“Ainda vou vencer aqui”

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 N. Mansell
  • 3 M. Alboreto
  • 4 E. Cheever
  • 5 A. Prost
  • 6 T. Boutsen
  • 7 K. Rosberg
  • 8 A. de Cesaris
  • 9 E. de Angelis
  • 10 D. Warwick
  • 11 G. Berger
  • 12 R. Patrese
  • 13 N. Piquet
  • 14 N. Lauda
  • 15 S. Johansson
  • 16 J. Laffite
  • 17 P. Tambay
  • 18 M. Brundle
  • 19 J. Palmer
  • 20 T. Fabi
Voltas 78
Tempo Nublado
Volta mais rápida M. Alboreto - 1´22´´637
Podium 1º A. Prost 2º M. Alboreto 3º E. de Angelis
Carros 20
Abandonos 9