Grande Prêmio do Brasil – 1985

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O debut de Ayrton Senna na Fórmula 1 aconteceu no Rio de Janeiro. Antes, o piloto havia testado carros de diversas equipes e fechou contrato com a Toleman. Ainda que fosse uma estreia em casa, ele nunca tinha competido em Jacarepaguá.

“São seis horas, o Intercontinental lhe deseja um bom dia. A temperatura é de 26 graus e a previsão é de tempo bom”

Em 25 de março de 1984, domingo de prova na F1, Ayrton Senna já estava acordado desde as 5 horas. Mesmo assim, respondeu ao bom dia gravado da telefonista e pulou da cama.

A classificação, no dia anterior, não havia sido muito promissora: Ayrton Senna esperava uma boa posição, mesmo competindo com grandes nomes como Niki Lauda, Alain Prost (McLaren), Keke Rosberg (Williams), Nelson Piquet (Brabham) e Nigel Mansell (Lotus), e contra a força dos motores Porsche-TAG, Honda, Renault, BMW e Ferrari, superiores ao Hart, que embalava o seu Toleman. Mas, com uma incômoda vibração na suspensão dianteira, conseguiu apenas a 16a posição no grid, na oitava fila. A pole position ficou com o italiano Elio de Angelis, a primeira dele na carreira.

Mesmo partindo apenas na oitava fila, Senna era o melhor colocado entre os estreantes. Os outros pilotos que também viviam a expectativa de realizar o primeiro GP eram: Martin Brundle, 18º, o Francois Hesnault largava em 19º, Stefan Bellof em 22º e Phillipe Alliot partia da 25ª posição. O grid estava composto por 27 carros.

Desde o início da semana, Ayrton demonstrava saber exatamente onde poderia chegar. Antes do início do treino classificatório, Ayrton falou sobre a expectativa para aquele dia histórico em sua carreira. “No que diz respeito ao carro, o Toleman é um carro forte, resistente, mas atualmente, é um modelo de certa forma ultrapassado em termos de velocidade. Isso vai refletir na classificação. Na tomada de tempo, as possibilidades de a gente partir em uma posição de melhor destaque são muito difíceis”, disse Senna antes da prova em entrevista concedida aos microfones da rádio Jovem Pan.

“Durante a corrida, devido ao baixo consumo do meu motor Hart e da resistência do meu carro, as possibilidades de a gente ir ganhando posições volta a volta são muito grandes. Eventualmente, ao final de uma hora e meia ou duas horas (de corrida), conseguir uma colocação até surpreendente”, disse, na mesma entrevista à rádio Jovem Pan. “O importante é manter a calma e dar o máximo de si dentro daquela uma hora e meia ou duas horas, e encarar o resultado, seja ele qual for – bom, muito bom ou negativo – como uma nova fase na minha carreira, onde eu vou ter que adquirir muita experiência”, completou.

Mesmo sendo um estreante, Ayrton Senna largou bem. Longe dos holofotes das transmissões internacionais, Senna fazia uma boa corrida de recuperação em relação a sua largada, mais ou menos como ele mesmo havia previsto. Na segunda volta, o brasileiro da Toleman já brigava com o alemão Stefan Bellof (Tyrrell) pela 13ª posição, após ganhar três posições logo na primeira volta.

Ayrton chegou a ser o nono colocado. Só foi parado pelo turbo do motor Hart, que quebrou na oitava volta.

“O turbo compressor quebrou, parece. Alguma coisa aconteceu, porque o carro começou a vibrar bastante. Foi de uma hora para a outra”, comentou Ayrton Senna nos boxes à Rede Globo.

Como consolo, o dia foi realmente lindo e ensolarado no Rio de Janeiro. A prova foi vencida por Alain Prost. Keke Rosberg e Elio de Angelis completaram o pódio. Não foi a estreia que ele esperava, mas em poucos GPs o mundo da F-1 conheceria melhor o potencial daquele jovem piloto de nome Ayrton Senna da Silva – e justamente em um dia de tempo bastante chuvoso nas estreitas ruas de Mônaco…

Resumo da Corrida

  • 1 M. Alboreto
  • 2 K. Rosberg
  • 3 E. de Angelis
  • 4 Ayrton Senna
  • 5 N. Mansell
  • 6 A. Prost
  • 7 R. Arnoux
  • 8 N. Pique
  • 9 N. Lauda
  • 10 D. Warwick
  • 11 P. Tambay
  • 12 T. Boutsen
  • 13 A. de Cesaris
  • 14 R. Patrese
  • 15 J. Laffite
  • 16 M. Winkelhock
  • 17 F. Hesnault
  • 18 E. Cheever
  • 19 G. Berger
  • 20 P. Alliot
  • 21 M. Brundle
  • 22 P. Ghinzani
  • 23 S. Johansson
  • 24 M. Baldi
  • 25 P. Martini
Voltas 61
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida A. Prost - 1´36´´702
Podium 1º A. Prost 2º M. Alboreto 3º E. de Angelis
Carros 25
Abandonos 12