Grande Prêmio da Bélgica – 1986

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Duas semanas após o GP de Mônaco, onde Ayrton Senna foi ao pódio com um terceiro lugar, a F-1 desembarcava na Bélgica, mais precisamente em Spa-Francorchamps, um circuito muito exigente, principalmente por causa dosaclives, declives e muitas curvas traiçoeiras, como a Eau Rouge, dificílima de se contornar com máxima aceleração. Conclusão: é para grandes pilotos, equipados com bons motores.

A Lotus nº 12 tinha um magistral piloto, com certeza, mas o motor que falava mais alto naquelas condições era o Honda, das Williams de Nigel Mansell e Nelson Piquet.

Antes da corrida, uma notícia causou muita comoção a todos no paddock em Spa. Companheiro de equipe de Senna na Lotus no ano anterior, o italiano Elio de Angelis morreu após um acidente com sua Brabham em um teste em Paul Ricard (França), justamente na semana anterior ao GP da Bélgica.

Durante a classificação, Senna conquistou o quarto lugar no grid de largada e não desanimou. A pole ficou com Piquet, seguido do surpreendente Gerhard Berger, da Benetton. Na segunda fila, ao lado do brasileiro, estava Alain Prost (McLaren) na terceira posição. Mansell era apenas o quinto colocado.

No domingo, dia da corrida, só pontuaria quem tivesse bom preparo físico, não errasse e soubesse poupar o carro. Esta era a aposta de Ayrton Senna e foi baseado nisso que ele desenhou a sua estratégia para a prova.

Na largada, uma tática perfeita de Senna. O brasileiro apostou em ficar por fora na curva La Source, enquanto Berger e Prost se espremeram e acabaram se tocando. Melhor para Senna, que ultrapassou os dois e colocou a Lotus na segunda posição, enquanto Piquet manteve a liderança.

A terceira posição passou a ser de Nigel Mansell e a quarta de Stefan Johansson (Ferrari). Enquanto isso, Berger e Prost foram para os boxes, mas somente o francês, até então líder do campeonato, conseguiria fazer uma boa corrida de recuperação após ter seu spoiler quebrado.

Na parte da frente do pelotão, Mansell até aproveitou a força do seu motor Honda para acompanhar a Lotus de Senna mas, na quarta volta, o britânico rodou sozinho e foi ultrapassado por Johansson. O “Leão” não desistiu e retomou a terceira posição dez voltas depois com uma bela ultrapassagem.

No final da 15ª volta, Piquet sofreu problemas com o motor Honda de sua Williams e ficou pelo caminho. Senna herdou a liderança, mas logo seria pressionado por Mansell, que tinha um carro muito rápido em suas mãos.

Antes da volta 20, a diferença entre Mansell e Senna era de apenas 2s3. Em uma tática esperta, a Williams levou o britânico logo para o box, uma volta antes do brasileiro entrar. O trabalho da Lotus foi um 1s5 mais lento que o da equipe rival. Além disso, o brasileiro foi atrapalhado por um retardatário (o francês Philippe Streiff) na volta em que iria para o box. Resultado: Mansell voltou na frente.

Johansson assumiu a liderança, mas por apenas duas voltas, até realizar também a sua parada e logo depois se acomodou na terceira posição.

Durante o restante da corrida, Ayrton Senna levou a sua Lotus com grande destreza pelo desafiante traçado, sendo obrigado a acelerar menos para economizar combustível nas voltas finais. O brasileiro sabia que, com apenas o sexto lugar de Prost, assumiria a liderança do campeonato.

O brasileiro não conseguiu a vitória, mas ficou com a segunda colocação, com pontos importantes e presença garantida na festa do pódio.

Com o resultado, Senna garantiu a liderança da competição com 25 pontos, enquanto Prost foi para 23. Mansell subiu para terceiro com 18 pontos e Nelson Piquet estacionou nos 15.

A etapa seguinte estava marcada para Montreal, no Canadá, em três semanas.

Resumo da Corrida

  • 1 N. Piquet
  • 2 G. Berger
  • 3 A. Prost
  • 4 Ayrton Senna
  • 5 N. Mansell
  • 6 T. Fabi
  • 7 R. Arnoux
  • 8 K. Rosberg
  • 9 M. Alboreto
  • 10 P. Tambay
  • 11 S. Johansson
  • 12 M. Brundle
  • 13 J. Drumfries
  • 14 T. Boutsen
  • 15 R. Patrese
  • 16 A. Jones
  • 17 J. Laffite
  • 18 P. Streiff
  • 19 A. de Cesaris
  • 20 J. Palmer
  • 21 M. Surer
  • 22 A. Nannini
  • 23 H. Rothengatter
  • 24 P. Ghinzani
  • 25 C. Danner
Voltas 43
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida A. Prost - 1´59´´282
Podium 1º N. Mansell 2º Ayrton Senna 3º S. Johansson
Carros 25
Abandonos 13

Senna na corrida

Posição de largada 4
Posição final 2
Melhor volta 1’59’’867
Pontos somados para o Campeonato 6
Posição no Campeonato após a prova 1
O que disse após a prova
“Dos que disputam o campeonato ponto a ponto, somente Nigel Mansell estava em boa posição. Queria os seis pontos. Melhor do que nada”