Grande Prêmio do Japão – 1987

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A grande atração do Grande Prêmio do Japão era para ser a decisão do título mundial entre Nigel Mansell e Nelson Piquet, ambos com as velozes Williams. Mansell precisava vencer ali e na última prova, na Austrália, torcendo por tropeços de Piquet em ambas as corridas.

Esperava-se um duelo de titãs nas duas pistas, mas ele não aconteceu porque Mansell acidentou-se nos treinos de Suzuka após uma batida violenta e precisou ser levado para o hospital. O britânico teve uma forte lesão na costela e por isso não participou da corrida. Assim, Piquet já largaria como campeão no Japão.

Apesar do acidente de Mansell, o primeiro GP em Suzuka teve outras diversas atrações. A maior delas foi justamente Ayrton Senna. A equipe Lotus tinha dificuldades para o acerto nos treinos e o brasileiro ficou apenas com o sétimo lugar no grid, que teve Gerhard Berger (Ferrari) como o pole position com o tempo de 1min40s042.

O austríaco teria Alain Prost, da McLaren, ao seu lado na primeira fila. Em terceiro estava a Benetton de Thierry Boutsen e a Ferrari de Michele Alboreto iria largar em quarto. Piquet era o quinto, Teo Fabi largaria em sexto e Senna apenas em sétimo lugar.

A largada de Ayrton Senna surpreendeu Piquet, Teo Fabi e Alboreto, todos ultrapassados pela Lotus ainda antes da primeira curva. Berger manteve a ponta com Prost em segundo e Boutsen em terceiro. No meio da volta inicial, a McLaren de Prost teve seu pneu traseiro esquerdo furado e com isso Senna subiu para o terceiro lugar. Piquet vinha logo atrás de Ayrton na quarta colocação.

Enquanto isso, Berger disparava na frente com um ritmo muito superior ao dos adversários. Na 12ª volta, Senna encostou em Boutsen e ultrapassou o piloto da Benetton. Na sequência, com uma perda de rendimento no motor Ford, o piloto belga também foi ultrapassado por Nelson Piquet e pelo sueco Stefan Johansson, da McLaren, caindo assim para o quinto lugar. Berger era o primeiro, Senna estava em segundo e Piquet em terceiro.

Como a vantagem de Berger era de 12 segundos para Senna e o motor Ferrari rendia melhor no veloz circuito de Suzuka, o brasileiro não tinha como tirar esta vantagem. Ayrton precisava mesmo era se preocupar em segurar Piquet, que tentava de todas as formas ultrapassá-lo.

Johansson colou nos dois brasileiros e apostou em parar primeiro para superar os dois pilotos no pit-stop. A tática daria certo após todos fazerem suas trocas de pneus. Com a entrada de Berger no boxes na volta 25, Ayrton chegou a liderar a corrida por uma volta e depois também fez a sua parada junto com Piquet. O trabalho da Lotus foi melhor e Senna retornou à pista em terceiro, com uma vantagem maior sobre o rival, mas essa diferença foi tirada pela Williams em uma volta.

Após segurar Piquet por 40 voltas, Senna conseguiu ter um descanso por causa de um problema no motor da Williams, que causaria um abandono cinco voltas depois por causa de um vazamento de óleo do seu carro na parte traseira.

Faltando menos de cinco voltas para o final, Senna ainda estava 10 segundos atrás de Johansson. O piloto da Lotus forçou o ritmo e foi tirando aproximadamente dois segundos por volta até realizar a ultrapassagem sobre o sueco na abertura da última volta, para delírio dos japoneses que estavam conhecendo seu maior ídolo das pistas.

Berger cruzou a linha de chegada em primeiro com 17s384 de vantagem para Senna, que fechou a prova apenas 0s310 na frente da McLaren de Johansson. Com o resultado, Senna chegou aos 57 pontos e tinha chances até de ser vice-campeão mundial em Adelaide, na Austrália, já que Mansell não participaria da corrida final da temporada. O inglês permaneceu com 61 pontos e Piquet garantiu seu tricampeonato com 73 pontos.

Após um período ruim da Ferrari, a equipe italiana voltava a vencer após um jejum de 37 corridas, equivalente a 2 anos e 3 meses. O último triunfo havia acontecido no GP da Alemanha de 1985 com Michele Alboreto. A vitória no Japão foi a segunda de Berger na carreira.

Resumo da Corrida

  • 1 G. Berger
  • 2 A. Prost
  • 3 T. Boutsen
  • 4 M. Alboreto
  • 5 N. Piquet
  • 6 T. Fabi
  • 7 Ayrton Senna
  • 8 R. Patrese
  • 9 S. Johansson
  • 10 A. de Cesaris
  • 11 S. Nakajima
  • 12 E. Cheever
  • 13 D. Warwick
  • 14 A. Nannini
  • 15 M. Brundle
  • 16 C. Danner
  • 17 R. Arnoux
  • 18 P. Alliot
  • 19 J. Palmer
  • 20 I. Capelli
  • 21 A. Campos
  • 22 Y. Dalmas
  • 23 A.Caffi
  • 24 P. Ghinzani
  • 25 P. Streiff
  • 26 R. Moreno
Voltas 51
Tempo Nublado
Volta mais rápida A. Prost - 1´43´´844
Podium 1º G. Berger 2º Ayrton Senna 3º S. Johansson
Carros 26
Abandonos 11

Senna na corrida

Posição de largada 7
Posição final 2
Melhor volta 1’45’’805
Pontos somados para o Campeonato 6
Posição no Campeonato após a prova 3
O que disse após a prova
“Diante das circuntâncias, foi uma corrida muito dura, mas um resultado muito bom”