Grande Prêmio da Alemanha – 1988

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O GP da Alemanha prometia ter um roteiro semelhante ao da prova realizada na Inglaterra onde, sob chuva, Senna deu espetáculo com a McLaren duas semanas antes. O campeonato tinha Alain Prost na liderança com seis pontos de vantagem para o companheiro (54 a 48). Por isso, Ayrton precisava de uma vitória para poder igualar tudo no GP seguinte.

Na semana anterior da prova, os pilotos realizaram testes em Hockenheim e Ayrton estava bastante satisfeito com o que produziu. Após percorrer quase 900 km em dois dias sob pista seca e molhada, Senna foi 2s64 mais rápido que Thierry Boutsen, segundo nos testes, com a Benetton. Uma vantagem imensa que trouxe ainda mais confiança para o brasileiro nos treinos oficiais.

Pouco antes de entrar no carro para o classificatório, Ayrton Senna viu Steve Nichols, o engenheiro do seu carro, olhando para o céu e brincou:

“Você também vai entrar para o clube do torcicolo?”

A preocupação geral dos pilotos em Hockenheim era com o tempo ameaçador. Durante os treinos, foi possível andar em pista seca em alguns momentos, mas a chuva castigou a pista durante todo o fim de semana. Ayrton Senna conquistou a pole position mais uma vez e, claro, queria uma corrida com chuva. Alain Prost, por outro lado, preferia o Sol.

No treino que definiu as posições do grid, Senna manteve o tempo registrado na sexta-feira, 1min44s596, 0s277 mais rápido que Prost. Foi a sétima pole de Ayrton em nove possíveis na temporada. A segunda fila foi formada por Gerhard Berger e Michele Alboreto. Se em outras corridas a Ferrari não assustou as McLaren, a expectativa é que dessa vez fosse diferente, já que o time italiano possuía motores V12 e que tinha tudo para ser um diferencial nas longas retas de Hockenheim.

No domingo, o caprichoso verão europeu derramou uma garoa fina e intermitente sobre o circuito, mantendo a pista molhada nas 44 voltas do Grande Prêmio. Sem um escoamento moderno, a pista não secou e os pilotos que largaram com pneus de chuva sequer precisaram entrar nos boxes.

Na largada, Senna abriu vantagem logo após a primeira curva. Prost demorou um pouco para sair e foi ultrapassado por Berger e Nannini, caindo para quarto. Nelson Piquet, que largou em quinto, arriscou sair com pneus slicks, mas não conseguiu passar da primeira chicane e acertou a barreira de pneus. Ainda levou a Lotus para os boxes, mas era fim de prova para ele.

Na quinta volta, a vantagem de Senna para Berger já era de 6 segundos. O brasileiro tentava aumentar a diferença enquanto Prost buscava voltar para o segundo lugar. Na volta 11, um susto para Ayrton. O brasileiro foi passar Philippe Alliot, um dos retardatários, mas o adversário escorregou na hora em que era ultrapassado e quase tirou da corrida Senna, que não foi atingido por questão de centímetros.

Após 12 voltas, Prost retomou a segunda posição após ultrapassar Nannini e Berger. A vantagem de Ayrton era de 12 segundos e variou muito pouco até o final das 44 voltas nos 6.797 metros da pista alemã.

Com a vantagem garantida, deu a lógica. Ayrton Senna optou por uma pilotagem segura, desfilando pela bela paisagem de Hockenheim para consagrar a sua primeira vitória em território alemão. E com estilo, de ponta a ponta.

Prost ainda rodou na parte final, mas o segundo lugar não foi prejudicado. Berger completou o pódio e Nannini abandonou a prova, deixando o quarto lugar para a Ferrari de Alboreto.

Essa foi a quinta vitória de Senna no ano e a 11ª dele na carreira. Prost tinha uma vitória a menos que Ayrton na temporada, mas ainda era líder do certame por apenas três pontos (60 a 57).

“Eu acredito que a decisão deste campeonato será pelo número de vitórias que os dois primeiros colocados conseguirem. Mesmo que eu esteja a três pontos atrás do Prost, é bom ter uma vitória a mais do que ele. Acho que no final do campeonato isso vai pesar muito”, disse Senna aos jornalistas após o término da prova, lembrando que o regulamento da época previa que apenas os 11 melhores resultados das 16 provas seriam considerados. E em Suzuka o pensamento do brasileiro se mostraria acertado.

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 A. Prost
  • 3 G. Berger
  • 4 M. Alboreto
  • 5 N. Piquet
  • 6 A. Nannini
  • 7 I. Capelli
  • 8 S. Nakajima
  • 9 T. Boutsen
  • 10 M. Gugelmin
  • 11 N. Mansell
  • 12 D. Warwick
  • 13 R. Patrese
  • 14 A. de Cesaris
  • 15 E. Cheever
  • 16 P. Streiff
  • 17 R. Arnoux
  • 18 N. Larini
  • 19 A.Caffi
  • 20 P. Alliot
  • 21 Y. Dalmas
  • 22 B. Schneider
  • 23 P. Ghinzani
  • 24 J. Palmer
  • 25 S. Modena
  • 26 O. Larrauri
Voltas 44
Tempo Nublado
Volta mais rápida A. Nannini - 2´03´´032
Podium 1º Ayrton Senna 2º A. Prost 3º G. Berger
Carros 26
Abandonos 7

Senna na corrida

Posição de largada 1
Posição final 1
Melhor volta 2’05’’001
Pontos somados para o Campeonato 9
Posição no Campeonato após a prova 2
O que disse após a prova
“Passei a maior parte da corrida tentando manter uma sólida vantagem sobre Alain Prost. Foi difícil porque carro estava ajustado para o seco”