Grande Prêmio da Espanha – 1989

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Depois do dissabor do improvável acidente com Nigel Mansell em Portugal, Ayrton Senna queria reencontrar a vitória na Espanha, buscando diminuir a vantagem de 24 pontos que Prost possuía sobre ele. O jeito era vencer as três corridas restantes para conquistar os 27 possíveis ainda em disputa. E Senna se empenhou para isso.

Nada melhor que uma pista na qual Ayrton já havia feito história, Jerez de la Frontera. Em 1986 Senna venceu Mansell por apenas 14 milésimos de segundo. Já em 1989, Senna fez tudo parecer fácil, já que conquistou a pole position à frente de Gerhard Berger, Alain Prost e Mansell, com o melhor tempo nos dois dias de treino. Foi a pole position número 40 de Ayrton na Fórmula 1, com mais de 1 segundo de vantagem para seu grande rival na luta pelo título, Alain Prost.

Durante a corrida, manteve a liderança de ponta a ponta durante as 73 voltas, cravando também a volta mais rápida. O segredo em Jerez foi a largada. As posições de início foram mantidas no pódio: Ayrton Senna vencedor, Berger em segundo e Prost em terceiro, o que parecia bem provável pelo número de curvas sinuosas e da grande dificuldade de praticar a ultrapassagem no circuito. Mas Senna sempre foi além do provável, isso ele mostrou ao terminar a prova 27 segundos na frente de Berger e 53 segundos na frente de Prost. Foi a vigésima vitória de Senna na F-1 e a sexta na temporada de 1989.

“Alguém me deu esta vitória. Alguém mais forte do que nós”, disse Ayrton aos jornalistas.

“Você esperava vencer tão facilmente?”, perguntou o entrevistador da FIA na conferência oficial de imprensa, após a prova. Lembrando da escadaria que o trouxe até a sala de imprensa, retrucou:

“Fácil? Até para chegar aqui foi difícil!”

E como Ayrton falou, realmente não foi fácil. Se fosse fácil, Senna não subiria ao pódio mancando. Ele estava com dores nas costas e no nervo ciático (atrás da perna), devido ao grande esforço físico. Sobre a corrida, Senna explicou que os freios estavam meio “moles” e que as dores aumentaram muito após a volta 30. Ele somente não saiu da corrida por causa de sua motivação característica.

Após a prova ele entrou no caminhão da McLaren e se sentou no chão alguns instantes para descansar. Ayrton saiu do autódromo de helicóptero e três dias depois já estaria em Ímola para realizar testes com a McLaren, visando o ano seguinte.

Uma bela despedida de Ayrton Senna da temporada europeia. Agora, decidiria no Japão com Alain Prost quem seria o campeão de 1989. Para conquistar o título Ayrton ainda teria que vencer as últimas duas provas (Japão e Austrália). Prost apenas precisava jogar com o regulamento embaixo do braço para ser campeão. Pode-se dizer que o francês foi um pouco além disso, ao ver a constante evolução de Senna no final da temporada.

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 G. Berger
  • 3 A. Prost
  • 4 P. Martini
  • 5 P. Alliot
  • 6 R. Patrese
  • 7 N. Piquet
  • 8 M. Brundle
  • 9 J. Alesi
  • 10 E. Pirro
  • 11 N. Larini
  • 12 S. Modena
  • 13 J. Palmer
  • 14 A. Nannini
  • 15 A. de Cesaris
  • 16 D. Warwick
  • 17 J. Lehto
  • 18 S. Nakajima
  • 19 I. Capelli
  • 20 L. Perez-Sala
  • 21 T. Boutsen
  • 22 E. Cheever
  • 23 A.Caffi
  • 24 O. Grouillard
  • 25 P. Ghinzani
  • 26 M. Gugelmin
Voltas 73
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida A. Senna - 1´25´´779
Podium 1º Ayrton Senna 2º G. Berger 3º A. Prost
Carros 26
Abandonos 16

Senna na corrida

Posição de largada 1
Posição final 1
Melhor volta 1´25´´779
Pontos somados para o Campeonato 9
Posição no Campeonato após a prova 2
O que disse após a prova
"Estou feliz, mas muito cansado, pois a corrida foi muito longa e este é um circuito muito cansativo. É uma vitória importante, que me dá uma motivação especial para o final da época. O Berger estava muito rápido no início, eu tinha grandes problemas de estabilidade e o desgaste dos pneus estava crítico, por isso só depois de os mudar é que me pude afastar. De fato, o primeiro jogo de pneus desgastou-se rapidamente e tive que parar antes do que estava previsto, mas o segundo aguentou bem, e inclusive cheguei ao final da prova com uma boa margem. Mas na segunda metade da corrida tive problemas na caixa de velocidades, com as mudanças a saltarem frequentemente, a que se juntaram depois problemas de travões nas últimas 20 voltas. Por outro lado, o computador não me dava informações corretas sobre o consumo. Ainda bem que pude diminuir o ritmo no final, senão não sei se daria para manter o comando até ao fim. Agora tenho de continuar a dar o meu melhor, como sempre fiz, para ganhar as duas próximas corridas."