Grande Prêmio de Mônaco – 1989

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Quinze dias após a vitória de Ayrton Senna em Ímola, a primeira dele na temporada, o brasileiro voltava ao circuito em que ele mesmo admitia ter cometido sua grande barbeiragem na Fórmula 1, um ano antes, quando bateu sozinho no guard-rail mesmo tendo quase um minuto de vantagem sobre Alain Prost, rumo a uma vitória tranquila. Motivo a mais para querer uma vitória e selar as pazes com as ruas de Monte Carlo.

Com exceção do erro na corrida de 1988, Mônaco trazia boas lembranças para Ayrton. Foi nas ruas do Principado, afinal, onde ele despontou como grande estrela da F-1 ao chegar em segundo lugar logo em sua prova de estreia, em 1984, com a equipe Toleman. Em 1987, Senna conquistou a primeira vitória brasileira no local (é o único piloto do País que conseguiu o feito de vencer nesta pista até os dias de hoje).

Por outro lado, seu grande rival na temporada e companheiro de equipe na McLaren também tinha um excelente retrospecto na pista monegasca. O francês venceu em 1984, 1985, 1986 e 1988. “Não será nada fácil competir com um piloto que tem quatro vitórias em Mônaco. Além disso, o câmbio automático da Ferrari pode favorecer (Nigel) Mansell, já que a pista exige muita trocas de marchas”, dizia Ayrton em sua fala oficial à imprensa brasileira antes da prova.

A Ferrari, uma possível rival da McLaren no final de semana, estava desfalcada de Gerhard Berger. O austríaco sofreu um choque na curva Tamburello na corrida anterior e seu carro pegou fogo, por isso a equipe italiana disputaria seu segundo GP na história com apenas um carro, o de Mansell. Um fato inusitado, que só havia ocorrido anteriormente justamente em Mônaco, após o falecimento de Gilles Villeneuve, em 1982. No caso de Berger, no entanto, a recuperação já estava avançada para correr na etapa seguinte (o piloto inclusive foi até Mônaco para ser comentarista da TV austríaca).

No sábado, Senna obteve novamente uma pole position espetacular, com o tempo de 1min22s308, 1s148 à frente de seu companheiro de equipe, um feito e tanto para quem corria com o mesmo carro, ainda mais se tratando de um bicampeão mundial (Prost ganhou os títulos de 1985 e 1986). Era a sexta pole position consecutiva do brasileiro (Espanha, Japão e Austrália em 88, e Brasil e San Marino em 89).

Na largada, o carro de Derek Warwick morreu e os pilotos foram obrigados a retornarem para sua posições para um novo procedimento de largada. Na segunda saída,Ayrton largou bem e acomodou-se com uma folga de cinco segundos à frente do francês. Quando os dois encostavam nos retardatários, Senna ultrapassava-os na saída do túnel, na reta dos boxes e até na descida do Cassino. Prost não tinha a mesma habilidade que o brasileiro e sofria na hora de ultrapassar os carros mais lentos, deixando a corrida bastante tranquila para seu rival a partir da volta 15.

A situação ficou ainda pior na volta 32, quando Andrea de Cesaris e Nelson Piquet se tocaram na curva mais lenta do circuito, na Loews, e prejudicaram os outros pilotos que vinham logo atrás. O italiano, apesar de ter sido otimista na tentativa de ultrapassagem, ficou revoltado com Piquet e ficou gesticulando para o brasileiro, enquanto Prost e Thierry Boutsen tiveram que praticamente estacionar na pista, perdendo muito tempo. A cena era digna de um acidente de trânsito, mas protagonizado por dois pilotos de F-1 – incluindo um tricampeão mundial.

Em uma corrida sem pit stops, Prost não teve chances para se reaproximar de Ayrton, que abriu assim 52 segundos para o francês.

Ayrton Senna não deu espaço para nenhum tipo de distração e conduziu com maestria a McLaren à sua segunda vitória no ano e no principado de Mônaco. Mesmo perdendo a primeira e segunda marcha e uma pista com vários trechos de baixa velocidade, Senna foi soberano até o fim. Essa vitória abria uma sequência imbatível de cinco vitórias consecutivas no Principado. Era a 16a dele na carreira.

“Considerando os problemas que tive foi um belo resultado”, disse Ayrton, ao surpreender a todos com a informação de que estava sem as duas primeiras marchas. “Primeiro fiquei sem a primeira marcha, cinco voltas depois, foi a vez da segunda. Com isso tive que mudar meu estilo de pilotagem para manter o mesmo ritmo e com isso evitar que o Prost notasse esse detalhe”, disse Senna à imprensa brasileira logo depois da corrida.

No campeonato, Senna e Prost estavam empatados com 18 pontos, mostrando que a disputa pelo título de 1989 seria uma das mais equilibradas da F-1. Mansell, que abandonou na volta 30, era o terceiro no campeonato, com 9 pontos.

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 A. Prost
  • 3 T. Boutsen
  • 4 M. Brundle
  • 5 N. Mansell
  • 6 D. Warwick
  • 7 R. Patrese
  • 8 S. Modena
  • 9 A.Caffi
  • 10 A. de Cesaris
  • 11 P. Martini
  • 12 M. Alboreto
  • 13 G. Tarquini
  • 14 M. Gugelmin
  • 15 A. Nannini
  • 16 O. Grouillard
  • 17 P. Alliot
  • 18 P.H. Raphanel
  • 19 N. Piquet
  • 20 E. Cheever
  • 21 R. Arnoux
  • 22 I. Capelli
  • 23 J. Palmer
  • 24 J. Herbert
  • 25 R. Moreno
  • 26 L. Perez-Sala
Voltas 77
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida A. Prost - 1´25´´501
Podium 1º Ayrton Senna 2º A. Prost 3º S. Modena
Carros 26
Abandonos 11

Senna na corrida

Posição de largada 1
Posição final 1
Melhor volta 1’26’’017
Pontos somados para o Campeonato 9
Posição no Campeonato após a prova 1
O que disse após a prova
“Tive problemas no câmbio na segunda metade da corrida, mas continuei correndo forte para não dar a Alain Prost qualquer indicação sobre isso” (FORIX)