Grande Prêmio de San Marino – 1989

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Em Ímola, havia um mar de faixas saudando os pilotos da Ferrari, Gerhard Berger e Nigel Mansell. O inglês abriu a temporada com vitória no Brasil, em Jacarepaguá, onde Senna levou um toque logo na primeira volta. Mesmo competindo pela rival McLaren, o brasileiro era bastante aplaudido nas arquibancadas do Autódromo Enzo e Dino Ferrari.

Um cartaz insistentemente agitado em frente aos boxes era dirigido a Ayrton Senna e trazia a figura do piloto com a frase: “Senna i tifosi de Napoli te espettano Ferrari 90″ (Senna, a torcida de Napoli te espera na Ferrari em 90).

Na pista, Ayrton guiou a McLaren para a sua 31ª pole position da carreira, seguido de Alain Prost, repetindo a cena comum na temporada de 1988. A volta mais rápida de Ayrton no treino classificatório veio em 1min26s010, 0s225 mais rápido que seu rival. A segunda fila foi composta por Nigel Mansell, terceiro colocado, e Riccardo Patrese (Williams), na quarta colocação. Berger era o quinto e Thierry Boutsen (Williams) fechava a terceira fila em sexto.

As McLaren largaram bem e os seis primeiros se mantiveram nas mesmas colocações durante o início. Mas, na terceira volta, Berger bateu na curva Tamburelloe sua Ferrari pegou fogo, acidente que determinou uma bandeira vermelha e também uma nova largada com os carros parados.

A corrida ficou paralisada por aproximadamente uma hora e Berger, apesar das cenas impressionantes do acidente, sofreu apenas queimaduras nas mãos. A direção de prova decidiu que juntaria o resultado das primeiras voltas com o resultado final da segunda parte, somando assim os tempos de todos os pilotos.

Na segunda largada, Prost pulou na frente, sendo ultrapassado por Ayrton Senna ainda na volta inicial. A manobra do brasileiro na curva Villeneuve é um dos pontos de maior polêmica na rivalidade com o francês, que acusou o brasileiro de romper o pacto de não-agressão na primeira volta. Para Senna, no entanto, não havia motivo de reclamação, já que se tratava se uma relargada – e, portanto, as disputas estariam liberadas.

Naquele momento, a relação entre os pilotos da McLaren azedou de vez. O francês queria o pacto de não ultrapassagem, recusado pelo brasileiro, que não admitia uma competição decorativa. Patrese pulou para terceiro e Nanini, que veio de sétimo, assumiu a quarta colocação, enquanto Mansell caiu para o quinto lugar.

Na sexta volta, Mansell decide partir para cima e ultrapassa Nanini. O piloto da Ferrari, embalado pela empolgação da torcida, encosta rapidamente também em Patrese e conquista o terceiro lugar. Enquanto isso, as McLaren passeavam nas primeiras posições.

A corrida ficou ainda mais tranquila para o time de Woking com os abandonos de Patrese, na volta 21, e Mansell, na volta 23. O italiano teve problemas no motor Renault de sua Williams e o britânico sofreu com o câmbio de sua Ferrari. Os brasileiros Nelson Piquet (Lotus) e Maurício Gugelmin (March) também abandonaram nas voltas seguintes.

O prosseguimento da corrida foi de tranquilidade para Senna. O brasileiro colocou uma vantagem de 40 segundos para Prost antes de cruzar a linha de chegada na primeira colocação. Era a primeira vitória de Senna após a conquista do seu primeiro título mundial. O francês acabou rodando sozinho quando restavam 12 voltas para o final. Prost ainda contou com a sorte de não ficar atolado na brita e conseguiu voltar para completar a corrida em segundo.

Alessandro Nanini, piloto italiano, ficou uma volta atrás do líder e terminou na terceira posição. Com o abandono das duas Ferrari e também de Patrese, a torcida da casa teve que se contentar com o pódio do piloto da Benetton.

No pódio, bastante comemoração de Ayrton e cara de decepção para Prost, que sequer cumpriu o protocolo de estourar o champanhe. A rivalidade começava a se acirrar ainda mais para o restante da temporada. Com o resultado, Prost assumiu a liderança do campeonato com 12 pontos, enquanto Senna e Mansell vinham logo atrás com 9 pontos.

Depois da corrida, o brasileiro permaneceu no motorhome da McLaren até o fim do dia, mas não conseguiu escapar dos fãs italianos. Teve que autografar o cartaz em que foi homenageado e prometer que estaria na Ferrari em 1990.

 

Resumo da Corrida

  • 1 Ayrton Senna
  • 2 A. Prost
  • 3 N. Mansell
  • 4 R. Patrese
  • 5 G. Berger
  • 6 T. Boutsen
  • 7 A. Nannini
  • 8 N. Piquet
  • 9 A.Caffi
  • 10 O. Grouillard
  • 11 P. Martini
  • 12 D. Warwick
  • 13 I. Capelli
  • 14 N. Larini
  • 15 L. Perez-Sala
  • 16 A. de Cesaris
  • 17 S. Modena
  • 18 G. Tarquini
  • 19 M. Gugelmin
  • 20 P. Alliot
  • 21 E. Cheever
  • 22 M. Brundle
  • 23 J. Herbert
  • 24 S. Nakajima
  • 25 J. Palmer
  • 26 Y. Dalmas
Voltas 58
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida A. Prost - 1´26´´795
Podium 1º Ayrton Senna 2º A. Prost 3º A. Nannini
Carros 26
Abandonos 13

Senna na corrida

Posição de largada 1
Posição final 1
Melhor volta 1’27’’273
Pontos somados para o Campeonato 9
Posição no Campeonato após a prova 2
O que disse após a prova
“Alain Prost me pressionou no início, até eu encontrar o ritmo e abrir 6 segundos. Depois que ele rodou, a pressão realmente acabou”