Grande Prêmio da Alemanha – 1992

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Os alemães estavam eufóricos com a rápida ascensão de Michael Schumacher (Benetton) na F-1, por isso a expectativa era de arquibancadas lotadas em Hockenheim. O país, que ainda vivia o processo de reunificação, estava carente de um ídolo no automobilismo, onde não havia um representante que disputasse vitórias na F-1 desde a década de 70.

O campeonato apontava Nigel Mansell disparado na frente com 76 pontos, enquanto Riccardo Patrese, seu companheiro de Williams, tinha 40. Schumacher era o terceiro com 29, enquanto Gerhard Berger tinha 20 pontos e Senna apenas 18.

O brasileiro estava em sua temporada mais difícil da carreira, onde o motor Honda já não era mais o destaque. Até o GP da Alemanha, décima etapa do campeonato, Senna tinha conquistado três pódios, sendo um deles com uma vitória histórica em Mônaco, na sexta corrida do ano. Após o triunfo no Principado, Ayrton vinha de três abandonos, sendo dois por problemas eletrônicos e um justamente por um toque de Schumacher.

Nos treinos, não houve nenhuma novidade. Numa pista rápida como Hockenheim, a vantagem era toda da Williams, levando Ayrton Senna a se enfileirar novamente na terceira posição. A pole ficou com Mansell após o inglês cravar 1min37s960 e Patrese ficou com o segundo lugar. O tempo de Senna foi de 1min39s106, enquanto Berger foi ainda mais lento com 1min39s716 e iria largar ao lado do brasileiro em quarto. Schumacher foi apenas o sexto, atrás do francês Jean Alesi, da Ferrari.

No domingo, mais de 120 mil pessoas compareceram ao autódromo alemão para a corrida, que foi bastante disputada em Hockenheim. Patrese contornou a primeira curva na frente de Mansell, mas logo após o final da primeira grande reta o britânico já recuperaria a ponta. O mesmo acontecia entre Senna e Berger. O austríaco não conseguiu sustentar a terceira posição, recuperada pelo brasileiro.

Alesi largou mal e perdeu posições para as duas Benetton, a de Schumacher e a do inglês Martin Brundle. Na volta 14, Mansell e Berger param nos boxes para trocarem seus pneus. O britânico voltou na terceira posição, atrás de Patrese e de Senna. A parada de Berger foi bastante lenta e, como a McLaren do austríaco tinha problemas, o piloto abandonou poucas voltas depois.

Na sequência, Mansell colou na traseira de Senna nas voltas seguintes e o brasileiro levou o “Leão” a um pequeno erro. O inglês atropelou um cone em uma das curvas, passou reto na chicane, mas ainda na mesma volta conseguiu tomar o segundo lugar da McLaren. Senna não gostou da manobra e comentou com os jornalistas, após a prova, sobre o fato de Mansell ter sido beneficiado por cortar a curva.

“Acho que ele deveria ter sido punido. Não com a desclassificação, mas no mínimo com 10 segundos, pois sem aquela manobra o resultado da corrida poderia ser outro”.

Na volta 19, Patrese vai para o box e Mansell reassume a liderança. A partir daí, vem o show de Ayrton Senna. O brasileiro decidiu não fazer nenhum pit -stop para ter chance de pelo menos ficar na frente do piloto italiano e terminar em segundo.

Para encostar em Senna, Patrese ainda precisou superar Schumacher, que lutou bastante pela posição até ser ultrapassado na volta 32. Portanto, restavam 13 voltas para o vice-líder do campeonato tentar recuperar o segundo lugar, que pertencia a Ayrton.

A diferença era de 6 segundos, mas em apenas três voltas ela foi tirada pelo piloto da Williams. Mesmo assim, o jornalista Reginaldo Leme, que trabalhava na transmissão da corrida pela TV Globo, acreditava que o brasileiro poderia conseguir segurar a posição.

“Se ele (Patrese) teve dificuldade de passar o Schumacher, mesmo com seus 233 Grandes Prêmios e o Schumacher apenas 15 (GPs), imagine a briga agora que ele terá ao encostar no Senna, porque o Senna tem 135 (GPs). É uma experiência muito maior que a do Schumacher, então vamos ver como é que vai ser essa briga no momento em que ele chegar”, disse o comentarista.

Durante 8 voltas, mesmo conseguindo pegar o vácuo de Senna nas retas gigantescas de Hockenheim, Patrese não tomava o segundo lugar. Senna parecia se especializar em segurar rivais com carros bem mais rápidos na temporada 1992. O roteiro desta vez era ainda mais desfavorável, já que Patrese tinha pneus bem menos desgastados que o brasileiro.

Na perseguição, Patrese cometeu três erros: o primeiro foi exatamente na mesma chicane do erro de Mansell, quando o inglês atropelou o cone. Na segunda falha, Patrese pegou um pouco de areia ao beliscar a zebra depois da curva 1. E por fim, na última volta, o italiano tira do vácuo para tentar a manobra em cima de Ayrton e acaba rodando sozinho quando faltavam apenas quatro curvas para a bandeirada.

Com isso, Mansell chega em primeiro, Senna em segundo e Michael Schumacher completa a corrida em terceiro. Brundle foi o quarto e Patrese sequer pontuou, pois o italiano não conseguiu tirar o carro da grama.

As manobras de Senna na Alemanha se tornaram inesquecíveis para Livio Oricchio, jornalista do Globoesporte.com. Em entrevista ao canal Senna TV, ele aponta esta como uma das provas mais fantásticas do piloto brasileiro. “Uma corrida do Ayrton que ficou na minha memória e que ele não ganhou foi em Hockenheim 92″. Confira a entrevista completa com Livio.

No campeonato, Mansell disparou para 86 pontos, Patrese estacionou nos 40, Schumacher foi para 33 e Senna passou Berger. O brasileiro chegou aos 24 pontos contra 20 do austríaco.

Resumo da Corrida

  • 1 N. Mansell
  • 2 R. Patrese
  • 3 Ayrton Senna
  • 4 G. Berger
  • 5 J. Alesi
  • 6 M. Schumacher
  • 7 E. Comas
  • 8 T. Boutsen
  • 9 M. Brundle
  • 10 K. Wendlinger
  • 11 J. Herbert
  • 12 I. Capelli
  • 13 M. Hakkinen
  • 14 O. Grouillard
  • 15 A. Suzuki
  • 16 U. Katayama
  • 17 M. Alboreto
  • 18 P. Martini
  • 19 G. Tarquini
  • 20 A. de Cesaris
  • 21 J. Lehto
  • 22 T. Belmondo
  • 23 M. Gugelmin
  • 24 A. Zanardi
  • 25 B. Gachot
  • 26 G. Morbidelli
Voltas 45
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida R. Patrese - 1´41´´591
Podium 1º N. Mansell 2º Ayrton Senna 3º M. Schumacher
Carros 26
Abandonos 10

Senna na corrida

Posição de largada 3
Posição final 2
Melhor volta 1’42’’272
Pontos somados para o Campeonato 6
Posição no Campeonato após a prova 4
O que disse após a prova
“Sabia do risco, mas era a única chance de chegar em segundo. Infelizmente, o máximo que podia fazer”