Grande Prêmio da Hungria – 1992

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Após conquistar um difícil segundo lugar no GP da Alemanha e quebrar uma sequência complicada de três corridas sem pódios, Ayrton Senna queria usar o travado circuito da Hungria a seu favor, já que as Williams eram sabidamente mais rápidas. Nigel Mansell tinha a maior chance da carreira de faturar o seu tão aguardado título mundial. O britânico era líder do campeonato com 86 pontos e nem precisava da vitória para conquistar o seu grande objetivo na temporada.

Para a corrida em Budapeste, Senna procurou ajustes no carro para ter mais aderência e tracionar melhor. O brasileiro colocou o máximo possível de inclinação no aerofólio traseiro para ganhar pressão aerodinâmica e assim obter mais velocidade nas curvas. O objetivo era fazer isso já nos primeiros treinos e tentar garantir uma boa posição de largada em uma pista com poucos pontos de ultrapassagem.

No sábado, Ayrton até melhorou o tempo de sexta-feira, mas não o suficiente para largar à frente das Williams, ficando com o terceiro melhor tempo no treino classificatório. Se largasse bem, teria chances. A única novidade foi Patrese, que cravou 1min15s476 e desta vez largaria na pole, logo à frente de Mansell.

Ayrton não estava muito confiante de que superaria as Williams no dia seguinte. Antes da prova, comentou sobre o excelente sistema de tração desenvolvido pela equipe rival, arma que poderia ser fundamental para Mansell e Patrese conseguirem manter as posições depois da primeira curva.
“As Williams desenvolveram um sistema de controle de tração e mudança de marchas que sempre proporciona aos pilotos uma ótima largada. Só mesmo se eles cometerem erros grotescos é que não estarão em primeiro e segundo no final da reta dos boxes”, disse Ayrton aos jornalistas após o treino decisivo.

No domingo, logo na primeira volta, Senna ultrapassou Mansell e ficou atrás de Patrese. O Leão não cometeu nenhum erro visível: o mérito foi de uma tática ousada do brasileiro, freando mais tarde e ficando por fora na primeira curva, com chances de sair com a preferência na segunda perna da curva. A tática foi tão boa que até Berger, com a outra McLaren, aproveitou e completou a primeira volta à frente do britânico.

Logo depois, Mansell retomou o terceiro lugar e colou na traseira de Ayrton. Mesmo com o ataque feroz do inglês nas voltas seguintes, Ayrton manteve o ritmo, poupando os pneus. Descreveu a situação após a corrida:

“Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come”

Na volta 31, um roteiro semelhante a tantas outras corridas se repetiu: um duelo acirrado entre Mansell e Senna, com o inglês buscando a ultrapassagem. O Leão cometeu um erro, alargou uma curva, e viu Berger tomar sua posição novamente. O britânico conseguiu recuperar o terceiro lugar duas voltas depois.

Líder absoluto da prova com mais de 25 segundos de vantagem para Ayrton, Patrese cometeu o erro que o brasileiro tanto esperava. O italiano rodou sozinho, ficou com as duas rodas traseiras presas na areia e somente conseguiu voltar com um empurrão dos fiscais. Já era tarde demais para o piloto da Williams, que voltaria apenas na sétima posição. Algumas voltas depois, o motor Renault ainda explodiu, tirando-o completamente da corrida.

Com o final da prova se aproximando e o título assegurado com a segunda colocação, Mansell mostrou-se mais precavido na corrida e Ayrton começou a disparar na liderança.

“Depois de tudo que fiz para chegar até aqui, o Leão só me passa se for por cima. Por dentro ou por fora, não vai ter jeito”

O domínio de Senna e Mansell foi tão grande na corrida que os dois chegaram na frente mesmo fazendo um pit stop, ao contrário dos outros pilotos da zona de pontuação. O brasileiro cruzou a linha de chegada com 40 segundos de vantagem para o britânico, que conquistou com grande antecipação o título da temporada de 1992. Berger ficou com o terceiro lugar.

Essa foi a segunda vez que Senna subiu no degrau mais alto do pódio na temporada. A outra vitória havia acontecido em Mônaco, onde Senna também aguentou a pressão de Mansell. No final da corrida em Hungaroring, o piloto da McLaren confessou novamente que não estava esperando por uma vitória em Budapeste, e que por isso, o 35º triunfo de sua carreira foi ainda mais gratificante.

“A suspensão deles dá muito mais aderência nas curvas e eles ganham muito mais velocidade”, explicou Senna. “O que vale mesmo é que conseguimos mais uma vitória em um ano extremamente difícil”, concluiu Senna para os jornalistas.

Resumo da Corrida

  • 1 R. Patrese
  • 2 N. Mansell
  • 3 Ayrton Senna
  • 4 M. Schumacher
  • 5 G. Berger
  • 6 M. Brundle
  • 7 M. Alboreto
  • 8 T. Boutsen
  • 9 J. Alesi
  • 10 I. Capelli
  • 11 E. Comas
  • 12 G. Tarquini
  • 13 J. Herbert
  • 14 A. Suzuki
  • 15 B. Gachot
  • 16 M. Hakkinen
  • 17 T. Belmondo
  • 18 E. Van de Poele
  • 19 A. de Cesaris
  • 20 U. Katayama
  • 21 M. Gugelmin
  • 22 O. Grouillard
  • 23 K. Wendlinger
  • 24 S. Modena
  • 25 D. Hill
  • 26 P. Martini
Voltas 77
Tempo Ensolarado
Volta mais rápida N. Mansell - 1´18´´308
Podium 1º Ayrton Senna 2º N. Mansell 3º G. Berger
Carros 26
Abandonos 15

Senna na corrida

Posição de largada 3
Posição final 1
Melhor volta 1’19’’588
Pontos somados para o Campeonato 10
Posição no Campeonato após a prova 3
O que disse após a prova
"Penso que nunca tinha pilotado como hoje em toda a minha carreira, e este gênero de "performances" é fruto de uma longa experiência. Não esperava chegar à vitória, mas sabia que tinha que me aguentar com os da frente para ter alguma hipótese. Por isso, decidi arriscar na escolha de pneus. Optei por usar pneus macios, que proporcionavam muito maior aderência, mas sem a certeza de poderem aguentar toda a corrida, portanto tive que adaptar o carro durante o "Warm-up", para poder usar os pneus macios. Não há dúvida de que arrisquei, mas era a única forma de poder chegar à vitória. À partida procurei ficar em segundo e consegui, o que foi bastante importante. Depois, durante uma volta tentei acompanhar o Riccardo, mas verifiquei que dificilmente podia aguentar o seu ritmo, por isso decidi fazer a minha corrida, adaptando o andamento que mais me convinha para poupar os pneus, mas era muito difícil andar de forma a não estragar os pneus e, em simultâneo, segurar o Nigel atrás de mim. Por isso, quando consegui antecipar-me ao Nigel numa dobragem, aproveitei a oportunidade para, aproveitando a melhor aderência dos pneus, forçar o andamento para ganhar terreno. Acho que foi aí que ganhei a corrida... A oportunidade de passar para o comando acabou por surgir quando o Riccardo se despistou. Sabia que podia controlar o Nigel e continuar a tirar partido dos meus pneus, e se tinha conseguido aguentá-lo antes, quando ficou em jogo o primeiro lugar, acho que o Nigel só me conseguiria ultrapassar se passasse por cima! Entretanto, perguntei para os "boxes", através do rádio, se o segundo lugar chegava ao Mansell para ser campeão e, quando me responderam fiquei mais descansado. Ao aproximar-me do final da corrida, os pneus começaram a ficar muito degradados e provocavam vibrações muito fortes. Receava que pudessem afetar a parte eléctrica, mas estava indeciso. Decidi-me a ir aos "boxes" e voltei a forçar para ganhar terreno e poder mudar os pneus sem perder o primeiro lugar."